*Jorge Gama
São vários os exemplos de “esperteza” política em que manobras são celebradas e registradas, principalmente nas obras do saudoso e brilhante jornalista e político Sebastião Nery. Em seus livros, há um vasto repertório de episódios em que o suposto heroísmo do político é exaltado nas mais diversas situações.
O atual Estado do Rio de Janeiro - ex-Distrito Federal e ex-Estado da Guanabara - sempre foi berço de uma tradição política e de cultura jurídica cujo reconhecimento se estende nacionalmente.
Nos últimos anos, no entanto, essa tradição institucional foi - e ainda está - abalada.
Durante décadas, fomos referência política no país, longe do nosso momento atual. Variáveis como o desgaste político e a descrença da população nas instituições, que pareciam superadas e em busca de melhores rumos, retornam agora ao pântano do oportunismo político aberto, tendo como protagonistas figuras de baixíssimo teor de seriedade.
O episódio recente envolvendo a eleição do presidente da Alerj - também candidato ao governo do Estado - não revela apenas o despreparo político de diversos agentes, mas aponta para um possível aprofundamento de uma crise que nem os mais pessimistas seriam capazes de prever.
Ainda não há luz no fim desse túnel de responsabilidade institucional.
O atual governador interino, o desembargador Ricardo Couto de Castro, jamais esquecerá esse episódio em sua trajetória funcional. Esse fardo que a Constituição Estadual lhe impôs.
Cabe lembrar a célebre frase do presidente Getúlio Vargas sobre seu ministério: “Tenho um ministério de incapazes; uns não fazem nada; outros são capazes de tudo”.
A frase, infelizmente, ainda ecoa no cenário político de nosso Estado.
As eleições de 2026 se aproximam.
Cabe ao eleitor, soberano, decidir se superará ou manterá essa situação que leva o Estado a um desgaste institucional que já atinge seu limite.
*Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.
