Por Almeida dos Santos
Dudu Reina criou a Comenda Carmelita Brasil, oferecida às mulheres que, de uma forma ou de outra, contribuem ou contribuíram para o desenvolvimento de Nova Iguaçu.
A iniciativa, concebida quando Dudu presidia a Câmara, destaca-se por atribuir a uma mulher o nome de uma das poucas comendas, no Brasil, instituídas por um legislativo municipal com essa representatividade feminina.
Isso significa que, por meio dessa honraria, a Câmara Municipal de Nova Iguaçu - se, por um lado, é uma instituição que, ao longo de mais de 190 anos, contou com apenas 12 mulheres em seus quadros -, por outro, homenageia uma pioneira que concluiu um mandato de vereança no Estado.
É, sem dúvida, um paradoxo. Mas é possível avançar mais na busca por ampliar a representatividade feminina no parlamento municipal.
Patrimônio pouco explorado
Sempre escrevi que a história e o nome de Carmelita Brasil são pouco explorados como instrumentos de incentivo à participação feminina na política.
Aliás, em razão das cotas nas nominatas eleitorais, quando chega o período eleitoral, verifica-se a dificuldade de muitos partidos em cumprir o percentual mínimo de mulheres nas chapas. Para quem acompanha os bastidores, sabe-se que essa questão já deu muito pano para manga, colocando partidos e coligações em situações delicadas.
A entrega do Diploma Carmelita Brasil precisa ir além de uma homenagem à primeira vereadora e se tornar uma espécie de chamamento para que mais mulheres participem do processo eleitoral iguaçuano.
Biografias
Como é reduzido o número de mulheres que exerceram mandatos de vereadora, o site da Câmara Municipal de Nova Iguaçu poderia disponibilizar as biografias dessas parlamentares.
Aliás, um livro também poderia ser editado, com o patrocínio da própria Câmara, reunindo a trajetória das mulheres iguaçuanas na política. Seria uma contribuição significativa da gestão do presidente Dr. Marcio Guerreiro para a preservação da memória do Poder Legislativo municipal.
Outro detalhe
Desde sua instalação, em 29 de julho de 1833, a Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu - ainda nos tempos de vila - contou com diversos nomes que transcenderam a política local e ganharam projeção para além do município.
Para citar alguns exemplos, podemos mencionar José Rodrigues Villares e Luiz Rodrigues Villares, vereadores na então vila e, respectivamente, pai e tio de Décio Villares, um dos participantes da elaboração da Bandeira do Brasil quando da implantação do regime republicano. Trata-se, paradoxalmente, de um ilustre desconhecido em sua própria terra.
Além de Décio, cabe lembrar o Conde de Aljezur, amigo de Dom Pedro II, com quem costumava viajar. O Conde de Aljezur também foi vereador em Nova Iguaçu e, ainda assim, não há referências a seu nome nas redes oficiais da Câmara.
Só para constar…
Nascido em Nova Iguaçu, nas bandas de Marapicu, o Conde de Aljezur é mais celebrado fora de sua terra natal do que aqui.
O mesmo ocorre com Décio Villares, artista que conviveu com grandes nomes da pintura brasileira e que, por aqui, foi esquecido - ou abandonado.
Diga-se de passagem, Décio Villares dá nome a uma rua famosa em Copacabana e, em Nova Iguaçu, sequer batiza um beco ou uma travessa.
Isso revela muito sobre como deixamos de valorizar símbolos que tiveram como berço o território iguaçuano.
Para pensar
Os homens públicos de hoje deveriam reconhecer os nomes que, de uma forma ou de outra, engrandeceram e mantêm vínculos com as terras iguaçuanas - sob pena de, no futuro, também terem seus legados esquecidos.
Minimizamos a grandeza da nossa história quando, por displicência, apagamos os nomes de seus filhos ilustres.
