VILA OLÍMPICA DE NOVA IGUAÇU OFERECE AULAS DE CAPOEIRA - Correio da Lavoura

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2 de ago de 2019

VILA OLÍMPICA DE NOVA IGUAÇU OFERECE AULAS DE CAPOEIRA


“Vou dizer minha mulher, Paraná, capoeira me venceu, Paraná. Paranauê, paranuê, Paraná”. Quem passa pela Vila Olímpica, no Centro de Nova Iguaçu, com certeza já ouviu esse canto. São os versos de ‘Paranaue’, uma das canções mais tradicionais de grupos de capoeira, que é entoada pelos alunos do professor Carlos Eduardo Alves Gomes, de 37 anos, o mestre Chumbinho. Integrante do Grupo Engenho, ele dá aulas de capoeira para cerca de 70 alunos de diversas faixas etárias.

As aulas do esporte misto de luta, arte, dança, ritmos e música, acontecem na Vila Olímpica às terças e quintas-feiras, das 19 às 22h, e aos sábados, das 9 às 11h. Para se inscrever basta procurar a secretaria do local, que fica na Rua Governador Portela, no Centro de Nova Iguaçu. A capoeira é reconhecida como um patrimônio cultural imaterial brasileiro, de acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão vinculado ao Ministério da Cultura.


“Estamos sendo mais valorizados em todo o mundo e a capoeira está em mais de 160 países. Tenho orgulho de ser capoeirista. Não só ensinamos a capoeira, mas estamos disciplinando o aluno. Esse esporte está tirando muita gente do caminho das drogas, para iniciar uma vida nova. Aqui na Vila Olímpica estamos descobrindo novos valores e futuros professores”, conta mestre Chumbinho, lembrando que, neste sábado (3), será comemorado o Dia do Capoeirista.

De acordo com o secretário de Esporte e Lazer de Nova Iguaçu, Alexandre Batista, a capoeira na cidade tem atraído cada vez mais adeptos. “Ela tem crescido bastante. A capoeira é tão importante como o futebol, a natação, por exemplo, pois trabalha com a inclusão social. É uma ferramenta fundamental para atrair cada vez mais jovens e até adultos. Auxilia na coordenação motora, melhora a agilidade e a flexibilidade”, afirma o secretário.

Aluno mais novo de capoeira na Vila, o estudante Bernardo Sete Gonçalves, de apenas 6 anos, já despertou um sonho ao praticar o esporte. “Ele quer se tornar num mestre de capoeira, dar aula, ensinar essa arte. Já fala como gente grande. Ele sempre teve amor pelo esporte e se aproximou das artes marciais, mas quando viu a capoeira não teve jeito, me pediu para praticar. Ele joga capoeira há três meses. Meu filho hoje está mais disciplinado. Ela mudou a vida dele”, disse Marcos Vinicius Fernandes, 26, pai de Bernardo.

A capoeira oferece diversos benefícios para a saúde, como no auxílio do alívio do estresse e na perda de peso, melhora a flexibilidade e fortalece os músculos. Estagiário no Fórum de Belford Roxo, Maicon Amaro Miranda, 25, é exemplo claro disto. “Minha saúde agora é outra. Com sequencias de treino, emagreci de 96 para 85 quilos. E não foi só isso, mudei meu comportamento. Não respeitava meus pais, era rebelde, mas quando comecei a seguir a capoeira, aprendi o significado da palavra respeito. Meu sonho é rodar o mundo e ensinar a capoeira para pessoas de outros países, mostrando um pouco da nossa cultura. Aqui ainda aprendemos a história da capoeira”, disse o jovem, que iniciou no esporte aos 10 anos.

Conhecida como Lótus nas rodas de capoeira, a praticante Bianca da Silva Gomes Pereira, 32, já se tornou uma instrutora.  “Era muito tímida e o esporte me tornou numa outra pessoa. Aqui também danço e canto no meio da roda de capoeira, aumentando o vínculo com outros alunos”, conta ela, que aprendeu a arte com seu pai.


Foto de Diego Valdevino