ESTUDO DISCUTE TOMBAMENTO DE TERREIROS DE CANDOMBLÉ PELO IPHAN - Correio da Lavoura

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15 de mai. de 2019

ESTUDO DISCUTE TOMBAMENTO DE TERREIROS DE CANDOMBLÉ PELO IPHAN


No último dia 29 de abril (segunda-feira passada) ocorreu na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em Nova Iguaçu, no Instituto Multidisciplinar, a segunda defesa de dissertação do curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade (PPGPACS). Com o título “O que não salvaguarda, o racismo leva: a pertença das comunidades de terreiro nos processos de tombamento do IPHAN”, o estudo apresentado por Luciane Barbosa de Souza investigou os processos de tombamento dos terreiros de matriz africana promovidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) correlacionando-os às lutas sociais antirracistas, pelo reconhecimento da herança africana, memória e pertencimento do povo negro, em defesa da diversidade cultural, da democracia e da laicidade.

O estudo de Luciane Barbosa foi apresentado para uma Banca formada por professores doutores altamente qualificados do campo interdisciplinar do patrimônio cultural, de diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) e do próprio PPGPACS, a saber: Márcia Regina Romeiro Chuva (Historiadora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – PPGH/UNIRIO), Luís Cláudio de Oliveira (Antropólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Faculdade de Educação da Baixada Fluminense – UERJ/FEBF), Raquel Alvitos Pereira (historiadora e pesquisadora do PPGPACS/UFRRJ) e Otair Fernandes de Oliveira (cientista social, coordenador do PPGPACS/UFRRJ, orientador e presidente da Banca). 

Diante desta Banca de especialistas e de um auditório lotado por membros das comunidades de terreiros de matriz africana, técnicos do INEPAC, universitários da UFRRJ e outras IES, mestrandos do PPGPACS e parentes, a mestranda Luciane Barbosa apresentou as principais idéias e o resultado da sua pesquisa destacando três momentos ou fases das políticas de preservação dos terreiros durante quase quatro décadas de política de preservação cultural no Brasil. Afirmou que, apesar das mudanças institucionais ocorridas nos últimos anos no IPHAN, que é o órgão do governo federal responsável pela condução da política de preservação do patrimônio cultural no país desde 1937, “o tombamento dos terreiros de candomblé ainda estão restritos aos conceitos de patrimônio presentes no livro histórico e no livro etnográfico”. Em seus 82 anos, o IPHAN tombou apenas 11 terreiros de matriz africana e todos localizados na região nordeste do país (um no Maranhão, nove na Bahia, e um em Pernambuco). Finalizando a apresentação ressaltando a importância da sociedade civil organizada, sobretudo, dos povos e comunidades dos terreiros nesses processos de tombamento.

Após a apresentação, a mestranda ouviu os comentários críticos dos membros da Banca que apontaram lacunas e problemas na pesquisa, mas ressaltaram a importância do estudo e sua contribuição para o campo de estudos e das políticas do patrimônio cultural no Brasil, sobretudo, voltados para os afro-brasileiros e comunidades de terreiros de matriz africana. Aprovado pela Banca, Luciane Barbosa de Souza se tornou a segunda mestra do PPGPACS. A pesquisa de Luciane contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 

Quem venham as próximas defesas! 

Axé Nguzo

(Texto elaborado por Sandra Regina e Fabiano do Rosário Vieira)