TROCANDO EM MIÚDOS - Correio da Lavoura

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8 de jun. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


Buscando respostas

Venho escrevendo, em algumas edições desta coluna, sobre logradouros que levam nomes de personagens cujas histórias são pouco conhecidas pelas gerações atuais. Desta vez, uma travessa localizada no Centro de Nova Iguaçu despertou minha curiosidade. Resolvi, então, investigar quem seria a personagem que dá nome àquela pequena passagem. Ou melhor, àquela pequena travessa.

Refiro-me à Travessa Irene, localizada no Centro de Nova Iguaçu, ao lado da loja Amigão e praticamente colada às Lojas Americanas. O nome Travessa Irene - esta é uma forte hipótese - seria uma referência a Irene de Alvarenga Cintra, nascida em 5 de agosto de 1902 e falecida em 20 de setembro de 1978. Ela era filha do coronel João de Alvarenga Cintra, que também dá nome a uma rua no bairro Chacrinha e foi um dos grandes proprietários de terras de Nova Iguaçu.

Uma coincidência?

O coronel João de Alvarenga Cintra (1867-1938) foi casado com Adélia de Alvarenga Cintra, mãe de Irene. Ele atuou como tabelião e escrivão. E há uma curiosa coincidência: foi tabelião do Cartório do 1º Ofício, serventia que atualmente funciona justamente na Travessa Irene.

Sobre Irene

Irene de Alvarenga Cintra, ao se casar com o capitão Deodoro de Alvarenga Ribeiro, passou a adotar o nome Irene de Alvarenga Cintra Ribeiro. Essa informação consta em sua certidão de óbito, à qual tive acesso.

O que mais me chamou a atenção foi o fato de ela e o marido, o capitão Deodoro, residirem na Rua Governador Portela, nº 1.127. Hoje, quem procurar esse endereço encontrará no local os fundos do supermercado Guanabara.

Muito interessante

Voltando ao coronel João de Alvarenga Cintra, ele foi proprietário de extensas terras em Nova Iguaçu, especialmente na região da Chacrinha, onde seu nome batiza uma rua próxima ao TopShopping.

Mas o que torna essa história ainda mais interessante é que o marido de Irene, o capitão Deodoro Ribeiro, também dá nome a uma rua paralela àquela que homenageia o sogro. Assim, ao se casar com o capitão Deodoro, Irene de Alvarenga Cintra passou a assinar Irene de Alvarenga Cintra Ribeiro, unindo, no nome, duas famílias que acabaram eternizadas na geografia da cidade.

Esclarecendo

Como a travessa é conhecida apenas como Travessa Irene, não pretendo ser categórico ao afirmar que a homenagem se refere a ela. No entanto, durante todo o processo de pesquisa - e vale destacar que é difícil encontrar documentos antigos que comprovem a origem de muitos logradouros -, tudo me leva a crer que a Travessa Irene seja, de fato, uma homenagem a Irene de Alvarenga Cintra Ribeiro.

Também chama a atenção o fato de o Cartório do 1º Ofício, onde seu pai exerceu a função de tabelião, estar instalado justamente na travessa que leva esse nome.

Finalizando


De acordo com o documento ao qual tive acesso, Irene de Alvarenga Cintra Ribeiro (foto) faleceu em 20 de setembro de 1978. O atestado de óbito foi assinado pelo médico Henrique José Portela e apontou como causa da morte insuficiência cardíaca congestiva, condição em que o coração perde a capacidade de bombear sangue adequadamente para o organismo.

O falecimento ocorreu às 19h45 daquele fatídico dia. E, embora ainda não seja possível afirmar com absoluta certeza a origem do nome da Travessa Irene, os indícios encontrados ao longo desta pesquisa parecem apontar para essa personagem da história iguaçuana.