*Jorge Gama
Se a Seleção avançará até as finais, ainda não sabemos, mas certamente teremos um momento de unidade nacional em favor do Brasil durante a Copa. As divergências sobre as cores das camisas da Seleção não afetarão a união da torcida pela vitória do país.
A força da torcida estará presente nas ruas e nos espaços públicos, onde serão visíveis os sentimentos do povo brasileiro em favor da equipe. Cada um de nós, diante da TV, terá a oportunidade de fazer sua própria análise de cada jogador. Os lances serão assistidos, avaliados e submetidos a um julgamento pessoal, livre das versões, das narrativas tendenciosas e das pesquisas seletivas.
Será um encontro direto entre o fato transmitido ao vivo, sem edições traiçoeiras, e quem o assiste, analisa e forma sua própria opinião. Viveremos esse momento durante a realização da Copa.
Como a vida não pode parar, terminada a Copa, o cenário será completamente alterado. Não será mais a Seleção Brasileira enfrentando um adversário externo. Será um Brasil inteiro, dividido politicamente, enfrentando a si próprio.
Sairemos de um jogo aberto, no qual atacamos o adversário em busca de um gol a nosso favor, para ingressar em outro tipo de disputa, em que o gol contra passa a ser o mais perigoso de todos.
No jogo eleitoral, as versões frequentemente substituem os fatos, e as pesquisas apresentam resultados que muitos contestam. Nas eleições, como nos jogos, alguém vencerá. Em ambos os casos, poderá ou não haver uma prorrogação - no processo eleitoral, ela se chama segundo turno.
Nos jogos, a decisão final pode vir nos pênaltis. Já nas eleições, nunca haverá empate. Se houvesse, o próprio juiz cobraria os pênaltis.
Na disputa da Copa, o resultado será sempre incerto até o apito final. Nas eleições, o resultado também permanece indefinido até que seja oficialmente revelado.
*Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.
