Por Almeida dos Santos
Como se sabe, Décio Villares foi um artista muito reverenciado no Brasil, em razão de parte de suas obras representarem símbolos republicanos. Filho do tenente-coronel José Rodrigues Villares e sobrinho de Luiz Rodrigues Villares - ambos fazendeiros e ex-vereadores em Nova Iguaçu -, Décio Villares participou, por exemplo, da elaboração da Bandeira do Brasil.
Ele também integrou o grupo de pintores brasileiros que ajudou a construir a imagem de Tiradentes como a conhecemos hoje. A própria República “ganhou face” em um quadro de sua autoria, intitulado A Dama da República, que está no Museu do Senado Federal, conforme se pode ver na foto.
Um tema interessante II
Quem visita o Palácio Tiradentes - antigo prédio da Câmara Federal e também sede da Alerj até a inauguração da atual - pode encontrar, em um de seus corredores, um busto de Tiradentes de autoria de Décio Villares.
É inegável que o artista possui grande relevância, com obras diretamente ligadas à construção da iconografia da República no Brasil.
Um tema interessante III
No Senado Federal, em Brasília, também há obras importantíssimas de Décio Villares. E não é só isso: outras peças suas estão espalhadas por diversos estados e são consideradas patrimônios nacionais, justamente por sua contribuição à consolidação dos símbolos republicanos.
Um tema interessante IV
Como já mencionado, a família de Décio Villares mantém fortes ligações com Nova Iguaçu, fato comprovado por registros oficiais. Seu pai e seu tio foram proprietários de terras produtoras no município.
Só esse vínculo já é suficiente para despertar maior interesse sobre o artista e suas conexões com a cidade.
Laços de amizade
Décio Villares foi aluno e amigo de Pedro Américo e também conviveu com Aurélio de Figueiredo, ambos renomados artistas brasileiros, com obras consagradas em museus. Mas há um detalhe ainda mais curioso.
Fato curioso
Quem observa uma nota de real encontra a figura de uma mulher frequentemente associada à “Marianne”, personagem simbólica da Revolução Francesa.
No entanto, estudos da professora Elisabete da Costa Leal, do Departamento de História da Universidade Federal de Pelotas e ex-presidente da Associação Nacional de História (seção Rio Grande do Sul), considerada uma das maiores especialistas na obra de Décio Villares, indicam que a imagem presente na cédula seria uma “Marianne abrasileirada” por Villares.
Na ilustração do quadro mencionada no início da coluna, é possível notar o barrete frígio em cores verde e amarelo.
Enfim…
Os estudos da professora Elisabete da Costa Leal apontam que a imagem presente na nota de real pode ter sido baseada na obra de Décio Villares.
Assim, em outras palavras, poderíamos dizer que uma criação de um artista ligado a uma família de vereadores iguaçuanos pode estar, simbolicamente, no bolso dos brasileiros. Seja fato comprovado ou não, trata-se, no mínimo, de uma hipótese bastante interessante.

