Na segunda página da edição de 22 de novembro de 1959, assim o CL se reportou à morte de Narciso d’Almeida Ramalheda, qualificado por este semanário como “o rei dos fogos de artifício”.
“Vítima de grave enfermidade, faleceu às 21h30m do dia 17 do corrente, num leito do Hospital Samaritano, em Botafogo, o Sr. Narciso d’Almeida Ramalheda, que contava 67 anos de idade e era natural do distrito de Vila Real, na Província de Trás-os-Montes, em Portugal. Assistiram-lhe os últimos momentos os seus médicos assistentes e pessoas de sua família. Operado pelo Prof. Dr. Henrique Manoel Ruppe, que teve como um de seus assistentes o Dr. José Brigagão Ferreira, médico e amigo do Sr. Ramalheda, faleceu ele quatro horas depois, em conseqüência de complicações que surgiram e não puderam ser afastadas pelos médicos.
Trasladado o corpo para esta cidade, o enterro verificou-se no dia seguinte, às 15 horas, saindo o corpo da residência da família na Av. Cel. Francisco Soares, 734. O esquife, coberto com a bandeira da A.A. Filhos de Iguaçu e colocado num coche foi acompanhado por inúmeras pessoas, muitas em vários carros. E levado da Igreja ao Cemitério pelos amigos. Na passagem do cortejo fúnebre, principalmente pela Rua Marechal Floriano até a Igreja de Santo Antônio, onde o corpo foi encomendado, a maioria do comércio, num gesto de respeito, cerrou suas portas.
Narciso d’Almeida Ramalheda, que era casado em segundas núpcias, com a Sra. Esmeraldina Ramalheda, deixa cinco filhos maiores – Manoel, Narciso, Edmar, Wilson e Olga, esta casada com o Sr. Edison Renato de Freitas Campos – e um filho menor, Edson, além de 10 netos.
Ramalheda, segundo conterrâneos seus, veio para o Brasil em 1921 e dois anos depois fixava residência em Nova Iguaçu. Foi um homem do trabalho, um lutador infatigável. E, além disso, um espírito preocupado com os nossos problemas econômicos e políticos, pugnando sempre por uma renovação de costumes, visando ao progresso de nosso País e à felicidade do povo brasileiro. No terreno esportivo, Ramalheda era entusiasta do futebol. Foi um dos antigos associados do EC Iguaçu, e aos Filhos de Iguaçu, que ele presidira algumas vezes, dera grande parte de sua vida. Uma coisa ninguém lhe negava: era o rei dos fogos de artifício. Em 1922, nas grandiosas festas do Centenário, foi ele que surgiu com sua arte de pirotécnico, deslumbrando quantos se achavam na Cidade Maravilhosa. Depois seu nome correu por aí a fora, e nas grandes cidades, quando comemoravam suas datas magnas ou organizavam festas juninas, lá estava o artista Ramalheda com seus fogos de artifício deslumbrantes, conquistando aplausos gerais.
