Por Almeida dos Santos
Neste 22 de março de 2026, o Correio da Lavoura atinge a marca de 109 anos de fundação. Um jornal que surgiu do sonho de um empreendedor visionário que, assim como sua obra, traz na alma e em sua história de existência a luta pela justiça social, firmada em compromissos voltados ao desenvolvimento econômico, social, intelectual, educacional e cultural de Nova Iguaçu.
É importante lembrar que o fundador do jornal, Silvino Hipólito de Azeredo Coutinho (foto), nasceu em 17 de junho de 1859 e, neste ano, será lembrado pelos 167 anos de nascimento. Autor e obra que são motivos de orgulho para Nova Iguaçu.
Sensibilidade para a arte
Se, ao longo desses 109 anos, o Correio da Lavoura se notabilizou pelo apoio à cultura, é importante destacar que o periódico nasceu dos ideais de alguém que também cultivava a arte.
Em referências biográficas deixadas por Luiz Martins de Azeredo (foto) - um dos maiores memorialistas desta terra e filho de Silvino -, o patriarca da família Azeredo era um amante da música. O saudoso Luiz relata, em suas memórias, que seu pai costumava ensaiar com o médico Francisco Campelo, amigo da época, tocando flautim, flauta e oficlide.
Uma curiosidade
Silvino Hipólito de Azeredo Coutinho, segundo registros de Luiz Martins de Azeredo, era engajado nas causas abolicionistas. Um fato marcante relatado por ele ocorreu em 13 de maio de 1888.
Na ocasião da assinatura da Lei Áurea, jovem e entusiasmado com as comemorações no Rio de Janeiro, Silvino sofreu um acidente. Em uma de suas anotações, Luiz Martins registra:
“Silvino Hipólito, participando com entusiasmo, no Rio de Janeiro, das festas populares comemorativas da assinatura da Lei Áurea, cai de um veículo que tomou em São Cristóvão e fratura a perna esquerda”.
Meu grande mestre
Como já escrevi nesta coluna, foi por intermédio do professor e compositor Sergio Fonseca que cheguei ao Correio da Lavoura, ainda na década de 1990. De lá para cá, são três décadas em que, de uma forma ou de outra, colaboro com o jornal.
Sou um felizardo por poder dizer que fui - e ainda sou - um aprendiz de Robinson Belém de Azeredo (foto), meu saudoso amigo, a quem devo o início da minha trajetória no jornalismo.
A grande fonte
A grandeza do Correio da Lavoura em “teimar em existir” - como dizia Robinson Belém de Azeredo - faz deste jornal uma das grandes fontes de pesquisa.
Ouso dizer que centenas, talvez milhares, de alunos extraíram de suas páginas informações e contribuições que auxiliaram em suas formações acadêmicas. Para alunos e professores, leigos ou estudiosos, as páginas do Correio da Lavoura transcendem a nobre função de informar os fatos da semana e passam a integrar um acervo que constitui verdadeiro patrimônio da memória iguaçuana.



