PESQUISA FINANCIADA PELA FAPERJ DESENVOLVE TECNOLOGIA QUE PODE REDUZIR TREMORES DO PARKINSON SEM CIRURGIA - Correio da Lavoura

Últimas Notícias


13 de mar. de 2026

PESQUISA FINANCIADA PELA FAPERJ DESENVOLVE TECNOLOGIA QUE PODE REDUZIR TREMORES DO PARKINSON SEM CIRURGIA

Estudo cria dispositivo de estimulação elétrica não invasivo e já é testado em pacientes

Sebastião Félix dos Santos, 66 anos: diagnosticado com Parkinson há 12 anos, ele é
acompanhado pela equipe da UFRJ há cerca de oito anos e relata melhora após
começar a utilizar o dispositivo
 (Foto: Cristina Cruz)

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), financia uma pesquisa que pode representar um avanço no tratamento de pessoas com Doença de Parkinson e Tremor Essencial. O estudo resultou no desenvolvimento de um dispositivo capaz de reduzir tremores por meio de estimulação elétrica aplicada sobre a pele, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos. A iniciativa integra os investimentos do estado em ciência, tecnologia e inovação, voltados a transformar conhecimento científico em soluções que impactem diretamente a vida da população.

A tecnologia está sendo desenvolvida por pesquisadores do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação do professor Carlos Júlio Criollo, e já se encontra em fase de testes clínicos com pacientes do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho.

Entre os participantes dos testes está Sebastião Félix dos Santos, de 66 anos. Diagnosticado com Parkinson há 12 anos, ele é acompanhado pela equipe da UFRJ há cerca de oito anos e relata melhora após começar a utilizar o dispositivo.

"Eu senti muita diferença. Hoje eu tremo menos do que antes. Isso ajuda muito no dia a dia, principalmente para fazer coisas simples", conta Sebastião.

A proposta do projeto é oferecer um tratamento não invasivo, acessível e de uso domiciliar. A estimulação elétrica é aplicada diretamente sobre a pele por meio de um dispositivo controlado por aplicativo no celular.

Cada sessão de uso é registrada automaticamente e os dados são enviados para um banco seguro por meio de tecnologias de telemedicina e internet das coisas (IoT). Dessa forma, a equipe médica pode acompanhar remotamente a evolução do paciente e ajustar o tratamento de forma personalizada.

"O investimento em ciência e inovação é fundamental para transformar conhecimento em soluções concretas que impactem diretamente a vida da população. Projetos como esse demonstram o papel estratégico da pesquisa fluminense na criação de tecnologias que ampliam o acesso a tratamentos de saúde e fortalecem o Sistema Único de Saúde", destaca a presidente da Faperj, Caroline Alves.

TECNOLOGIA INOVADORA

Batizado de Mestim Eléctrico, o dispositivo permite configurar diferentes sequências de estimulação elétrica por meio de conexão Wi-Fi. Isso possibilita ajustar parâmetros como frequência, amplitude e largura de pulso de acordo com a necessidade de cada paciente.

Enquanto a maioria dos equipamentos existentes utiliza apenas ondas quadradas ou retangulares, o protótipo desenvolvido pelos pesquisadores utiliza ondas senoidais, que permitem uma ativação mais seletiva das fibras nervosas envolvidas no controle motor.

"O diferencial desse dispositivo é que ele é totalmente configurável. Conseguimos ajustar os parâmetros de estimulação de forma personalizada para cada paciente, buscando o ponto em que o tremor é reduzido sem causar desconforto", explica Danilo Molina, doutorando em Engenharia Biomédica da Coppe.

IMPACTO SOCIAL E EXPANSÃO NO SUS

Além do avanço científico, o projeto também prevê a transferência da tecnologia para o sistema público de saúde. A equipe pretende desenvolver dez protótipos adicionais que serão utilizados em unidades hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

"Nosso objetivo é fazer com que essa inovação chegue à sociedade e não fique restrita ao ambiente acadêmico", afirma o professor Carlos Júlio Criollo.

Financiado pela Faperj, o estudo reúne uma rede transdisciplinar envolvendo sete laboratórios da UFRJ, além de parcerias com o Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC/UFRJ), o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Uerj), a Universidade Politécnica Salesiana do Equador e empresas do setor de equipamentos médicos.

AMPLIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM PESQUISA EM SAÚDE

Na última semana a Faperj lançou um pacote de editais que destina R$ 60 milhões para novas pesquisas científicas em áreas prioritárias, consolidando um novo ciclo de investimentos estratégicos no estado.

Os recursos contemplam quatro frentes consideradas centrais para os desafios atuais da saúde pública. Serão destinados verbas para programas voltados ao envelhecimento saudável, pesquisas sobre doenças crônicas, obesidade e pesquisa clínica em hospitais universitários sediados no estado do Rio de Janeiro.