MAIS DE 10 MIL MULHERES NA BAIXADA FLUMINENSE FICARAM UM ANO SEM EXAMES PREVENTIVOS - Correio da Lavoura

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10 de mar. de 2026

MAIS DE 10 MIL MULHERES NA BAIXADA FLUMINENSE FICARAM UM ANO SEM EXAMES PREVENTIVOS

Busca ativa da Unimed Nova Iguaçu elevou para mais de 70% a realização 
de mamografia e consultas ginecológicas e expõe desafio na saúde feminina.

Para o diretor-presidente da Unimed Nova Iguaçu, Dr. Joé Sestello, o dado reforça a importância de uma atuação ativa por parte das operadoras e instituições de saúde (Foto: Divulgação/Unimed Nova Iguaçu)

Levantamento interno da Unimed Nova Iguaçu revelou um dado que chama atenção na Baixada Fluminense: 10.993 mulheres elegíveis para acompanhamento preventivo estavam há pelo menos 12 meses sem realizar exames essenciais, como mamografia, ultrassonografia das mamas, ultrassonografia transvaginal ou exame preventivo. Todas têm entre 40 e 69 anos, faixa etária considerada prioritária para o rastreamento do câncer de mama.

Os números expõem uma realidade que vai além do acesso ao sistema de saúde. A maior concentração dessas mulheres está acima dos 59 anos, com 3.403 pacientes. Outras 2.323 têm entre 44 e 48 anos; 1.898 estão na faixa de 49 a 53; 1.765, entre 39 e 43; e 1.604, entre 54 e 58 anos. O retrato é de uma população feminina que envelhece, mas que ainda enfrenta barreiras — muitas vezes relacionadas à rotina, à sobrecarga e à priorização da família — para manter o próprio acompanhamento em dia.

A virada começou em julho de 2025, com a implantação do Programa Enfermeira Navegadora, que passou a realizar busca ativa por telefone, identificando mulheres fora da rotina preventiva e organizando toda a jornada dentro da rede própria e credenciada.

Após a abordagem direta, os índices de adesão cresceram de forma expressiva: 77,16% realizaram consulta com ginecologista; 72,84% fizeram mamografia; 72,30%, ultrassonografia das mamas; 73,56%, ultrassonografia transvaginal; e 72,48%, exame preventivo.

Para o diretor-presidente da Unimed Nova Iguaçu, Dr. Joé Sestello, o dado reforça a importância de uma atuação ativa por parte das operadoras e instituições de saúde. “Muitas mulheres acabam adiando seus próprios exames porque priorizam trabalho, filhos e outras responsabilidades. Quando fazemos a busca ativa, percebemos que não se trata de falta de informação, mas de tempo e organização do cuidado. Detectar precocemente significa aumentar as chances de tratamento menos invasivo e melhores desfechos clínicos”, afirma.

Segundo ele, a estratégia de navegação fortalece uma mudança cultural necessária. “Nosso objetivo é mapear a carteira de beneficiários para identificar quem está fora da linha de cuidado e agir antes que a doença avance. A prevenção não pode depender apenas da iniciativa individual; ela precisa ser estimulada e facilitada pelo sistema de saúde”, destaca.

Em uma região que concentra milhões de habitantes e enfrenta desafios históricos na assistência, os dados reforçam que políticas estruturadas de prevenção podem alterar o curso das estatísticas. Neste mês de março, a reflexão vai além das homenagens: garantir que as mulheres tenham acesso, incentivo e acompanhamento contínuo pode ser decisivo para transformar diagnósticos tardios em histórias de detecção precoce e vidas preservadas.