PREFEITURA DE JAPERI QUER EXPLORAÇÃO CULTURAL NO VELHO CASARÃO DA SUPERVIA - Correio da Lavoura

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10 de set. de 2019

PREFEITURA DE JAPERI QUER EXPLORAÇÃO CULTURAL NO VELHO CASARÃO DA SUPERVIA

Kerly Gustavo, defendeu a exploração do velho 
casarão da antiga estação de trem de Japeri como 
espaço cultural para atender à população

O secretário municipal do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Kerly Gustavo, defendeu a exploração do velho casarão da antiga estação de trem de Japeri como espaço cultural para atender à população do município. Ele vistoriou nesta segunda-feira (02) as obras de restauração do imóvel, que faz parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Um dos mais importantes símbolos do município, inaugurado em 1858, o casarão está sendo revitalizado desde dezembro pela SuperVia, por determinação judicial, depois que a Prefeitura denunciou o seu estado de total abandono. Do local já foram retirados cerca de 500 sacos de fezes de animais.

Com previsão de conclusão das obras para o próximo dia 15, o casarão está passando por recuperação estrutural, troca de luminárias e nova pintura, incluindo a sustentação de varandas e janelas que já estavam comprometidos.

Engenheiro responsável pelas obras, sob a responsabilidade da MViana Aquitetura&Construção, Jorge Dironal informou que todo o telhado foi refeito e isoladas as mansardas (janelas abertas no teto para dar entrada ao ar e à luz). As varandas ganharam forro de madeira, beirais com ripas inclinadas e tela de proteção para impedir o acesso dos pombos.

DOIS ANOS DE LUTA
Kerly Gustavo chegou à estação de Japeri acompanhado de técnicos ambientais, membros do Conselho Municipal do Meio Ambiente e do presidente da Associação de Moradores de Nova Belém, Lourival Celestino da Silva, o Sarney.

O secretário lembrou que, além do abandono, o casarão também estava infestado de pombos, ratos, cupins e com uma camada de 15 cm de fezes de aves (foto), situação que, segundo afirmou, colocava em risco a saúde da população, principalmente de passageiros que usam o transporte ferroviário diariamente.

A queda de braço entre a Prefeitura de Japeri e a SuperVia, acusada de prática de crime ambiental, durou cerca de dois anos. Em dezembro de 2017, a concessionária foi multada em R$ 5,18 milhões por desobediência à determinação da Secretaria Municipal do Ambiente (Semades).

Em março deste ano, depois de várias notificações da Semades e de decisão da 2ª Vara Cível da Comarca de Japeri, a SuperVia comprometeu-se com a conclusão da restauração do imóvel histórico, até o próximo dia 31 de outubro, sob pena de multa diária de R$ 20 mil, em caso de descumprimento judicial.

UM SONHO REALIZADO
Para o secretário Kerly Gustavo, a retirada das fezes e as obras de restauração do casarão é um sonho que está sendo realizado, depois de uma luta de 30 anos da população, da sociedade civil organizada e da Câmara de Vereadores.

“Batalhamos muito e percebemos agora que valeu a pena a nossa fiscalização e toda a luta do governo municipal. Ou seja, nosso esforço não foi em vão. Ganham com isso, o município, a população e a própria SuperVia, que passa a ser reconhecida pelo trabalho que está acabando de realizar”, disse.

Mas, segundo ainda o secretário, de nada adianta a restauração do prédio histórico se ele continuar fechado à população.

“É preciso fazer um acordo, envolvendo a SuperVia e a Secretaria Municipal de Cultura para a exploração cultural do local, se possível com a criação de um museu. O casarão tem história, é a logomarca do município, por onde passaram pessoas importantes e famosas”, defendeu Kerly Gustavo, lembrando que o espaço pode ser explorado pelo Grupo de teatro Código, associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 2007, a partir da Cia Código de Artes Cênicas, formada por jovens artistas de diversas cidades da Baixada Fluminense.

O secretário foi recepcionado no velho casarão por Gleicy Duarte e Antônio Carlos de Oliveira, analista ambiental e técnico em Segurança do Trabalho da SuperVia, respectivamente.