Índice de agressão e feminicídio em alta assombra mulheres que se dizem indefesas - Correio da Lavoura

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14 de abr de 2019

Índice de agressão e feminicídio em alta assombra mulheres que se dizem indefesas

Violência, medo, insegurança e desespero, é assim que algumas mulheres de cada parte do país, estado, cidade ou bairros, vem enfrentando ou se submetendo a conviver com uma vida violenta ao lado do marido, companheiro ou até mesmo do namorado. A agressão do homem contra a mulher não tem local nem hora, acontece de repente. Alguns matam sua parceira por ciúmes ou até mesmo por aquilo que a imaginação sua cria. A falta de educação e a base familiar é um dos fatores que podem ajudar a estruturar e conscientizar uma sociedade em que a maioria dos homens são machistas.
 

Cátia Caldas Bittencourt
A violência contra a mulher tem ocorrido todos os dias: envolve assassinatos de violência doméstica, sexual, mutilações, principalmente do rosto e seios e genitais, tortura, entre outros. Para entender esse tema, o CL entrevistou a advogada da OAB 1ª Subseção Nova Iguaçu/Mesquita, Cátia Caldas Bittencourt (presidente da Comissão Permanente de Mulheres Advogadas-CPMA), as professoras Martha Cristina (Assistente Social), Viviane Filgueira (professora de Língua Portuguesa), Daiana Caroline de Oliveira (professora de Educação Física), Martha Lúcia (Fisioterapeuta), Aline Moreira de Sousa Pinto (gestora de Recursos Humanos), com a seguinte a pergunta: Como combater e prevenir o feminicídio?

“Antes do feminicídio você tem as agressões. Antes das agressões em potencial chegarem ao feminicído, eles dão os sinais, quando os homens passam a mão na boca da mulher e tira o batom, tira o short, dá um beliscão, esses são os sinais. Só aquela mulher tem a percepção que encontrou o príncipe encantado. Para ela é muito difícil acreditar que um agressor possa vir a matá-la. Por isso que eu acho importante que essa mulher seja informada e participe de palestras, simpósios, porque na maioria das vezes essas mulheres que sofrem agressão são proibidas de ter rede social, contato com a família, amizades. Elas são afastadas da vida social pelo agressor. Eles têm todo o domínio daquela situação. O feminicídio vem da falta de estrutura da família. Lares atribulados. É uma cadeia. Nós ainda vivemos um patriarcado. Todos os dias lutamos por um lugar na sociedade. Essas mulheres precisam acreditar mais nelas e ter autoestima e que elas não se submetam a esse sistema patriarcado, machista e medíocre”, disse a advogada Cátia Caldas Bittencourt.
 

Martha Cristina
Para algumas mulheres, os homens têm que se conscientizar sobre o feminicídio. “Para diminuir o feminicídio, somente com a conscientização dos homens, porque nós temos uma cultura machista. É trabalhar em cima da educação, justiça social e igualdade dos gêneros. Muitas das vezes os homens matam não é porque amam as mulheres, mas pelo sentimento de posse devido a nossa cultura machista. Os governantes devem fazer políticas públicas direcionadas a esses homens que praticam esse tipo de violência, não somente moral, mas doméstica e física”, comentou Martha Cristina.
 

Segundo a professora Viviane, a solução é a educação para combater o feminicídio. “Não há como pensar de outra forma. A solução é a educação porque é o princípio da mudança. Qualquer mudança e perspectiva social vão passar primeiro pela sala de aula. Isso é importante desde pequenino, as famílias cada uma tem seu jeito de lidar com situações, cada uma tem a sua criação, crenças e cultura. A sala de aula é o primeiro lugar diversificado de uma criança inserida fora da sua casa, fora do seu nicho. É ali que ela vai aprender a conviver com o diferente e se descobrir na verdade. Se o cidadão aprender desde pequenino que ele não tem razão sempre, que a verdade dele e da família não é a única verdade do mundo,  ele vai conseguir olhar qualquer outra pessoa com mais respeito e aí não iremos ter mais feminicídio ou pelo menos diminuir esse número, homicídio não só de mulheres, mas haverá respeito em relação ao ser humano”, falou Viviane Filgueiras.
 

Viviane Filgueiras
Para algumas mulheres, evitar o feminicídio é se afastar do agressor. “Uma das formas de se evitar, é através de qualquer sinal de agressão verbal ou corporal, é se afastar do agressor o mais rápido possível, pois se a mulher não se impor e procurar ajuda, as agressões continuarão e poderá levar à morte. Intensificar as lei para garantir a segurança e a vida dessa mulher”, falou Aline Moreira de Sousa Pinto.
 

Feminicídio tem assombrado as mulheres. “A base de tudo é a educação dos filhos. Criar os filhos para respeitar a todos, principalmente as mulheres. As mulheres tem que exigir respeito e se valorizar”, comentou Martha Lúcia Barbosa.
 

Investimentos do governo em políticas públicas para combater o feminicídio. “Investimento do governo em políticas públicas. A família dá mais atenção na educação dos filhos. A mulher quando é agredida, se sente impotente, porque aqui no Brasil nenhuma delas tem o apoio que deveria”, concluiu Daiane Caroline de Oliveira Melo. 

Por Kátia Cavalcante