ANDANDO POR AÍ - Correio da Lavoura

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14 de fev. de 2019

ANDANDO POR AÍ

Por João da Rua

Brizola – Uma recordação oportuna
Agora mesmo, ao lembrar que se Brizola estivesse vivo teria completado 97 anos no último dia 22 de janeiro – informação de Vivaldo Barbosa num artigo publicado semana passada no Jornal do Brasil – me veio à lembrança sua trajetória política, para mim, o político de feição mais revolucionária surgido no Brasil na segunda metade do século passado.
A respeito do noticiário que nos está colocando cara a cara com a tragédia-crime de Brumadinho, protagonizada pela Vale do Rio Doce, me assalta a certeza de que Brizola, se estivesse no comando do governo numa situação dessa, sua imediata providência teria sido a de reestatizar uma das maiores mineradoras do mundo, trazendo-a de volta ao patrimônio da União, da qual foi expropriada pelo furor privatista do sociólogo entreguista Fernando Henrique Cardoso. Na época, lembro-me bem, não foram poucas as vozes de sinceros nacionalistas que condenaram veementemente a decisão de FHC como um exemplar crime de lesa-pátria. FHC, um protótipo farsante do que hoje entendemos como a falsa esquerda (fake left?), liderou um grupo que deitou raízes e fez escola. Dessa escola, na ponta extrema, encontra-se um rentista chamado Paulo Guedes, superministro de Economia e Finanças que pretende torrar o patrimônio da União, transferindo os nossos mais valiosos ativos para o controle do grande capital multinacional. Querem, em poucas palavras, vender o Brasil. 
Mas não é dessa gente menor que quero falar. Brizola foi a minha insinuação inicial a propósito do seu nascimento em 22 de janeiro de 1922.
Nesse tempo em que acompanho política, da verdadeira política e não esta que aí está, cujos personagens certamente serão condenados ao lixo da história, na linha direta da tradição nacionalista instaurada por Getúlio Vargas, Brizola se impôs como um representante natural, legítimo, em ação e pregação, para que construíssemos aqui um país absolutamente soberano. Enquanto viveu, Brizola deixou claro para uma enorme parcela da população brasileira que o admirava: somos uma nação possuidora de um capital humano e material imenso, capaz de nos potencializar como modelo de uma sociedade, sendo riquíssima, necessariamente justa e igualitária.
Nada disto vingou e agora estamos diante de um receituário ditado pela mediocridade, pela estupidez, num país (volto a repetir) em que os celebrados três poderes constitutivos do modelo democrático derivado republicanamente da Revolução Francesa – o Executivo, o Legislativo e o Judiciário – encontram-se encarcerados pelo único poder vigente: o Poder Econômico.
Estamos, decididamente, apesar do rufar dos tambores, na contramão da história.