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3 de nov. de 2026

Trocando em Miúdos

Por Almeida dos Santos


Presente x Futuro

Passadas as eleições majoritárias, com a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno para o presidente Lula, reeleito para o 4º mandato, é preciso olhar para Nova Iguaçu. Mesmo perdendo a eleição nacional, o bolsonarismo conta com uma grande força eleitoral em Nova Iguaçu. Basta olhar para o primeiro e o segundo turnos e aferir o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no município. Os números revelam que, apesar da derrota no âmbito nacional, em Nova Iguaçu o “bolsonarismo” conta com um forte capital eleitoral.

Presente x Futuro (2)

No primeiro turno, com 14 candidatos a presidente, Flávio Bolsonaro obteve 264.672 votos no município, representando 59,48% dos votos válidos em Nova Iguaçu. No segundo turno, em confronto direto com o presidente Lula, o candidato do PL obteve 274.403 votos em Nova Iguaçu, totalizando 59,01%. Esses 274.403 votos captados por Flávio Bolsonaro chegaram próximo do montante de votos obtidos por Dudu Reina (PP) nas eleições de 2024, que foi de 292.459. Em outras palavras, o bolsonarismo tem um quinhão de eleitores capaz de criar preocupações ao governo municipal. Sendo objetivo, se não houver a ampliação do leque de alianças na base governista, pode apostar que a dor de cabeça será grande.

Atrair novos aliados

Essa ruptura na aliança entre o bolsonarismo e o grupo político governista local oferece um terreno fértil para uma candidatura da extrema direita em 2028. Os números alcançados por Flávio Bolsonaro animam um grupo que, em 2022, chegou a ensaiar candidatura própria e ventilava o nome do deputado Anderson Moraes (PL), que acabou se aproximando do grupo vencedor, composto por Dudu Reina (PP), candidato a prefeito, apoiado pelo ex-prefeito Rogerio Lisboa (PP) e por Dr. Luizinho (PP).

Reavaliação

Ao apoiar a candidatura de Eduardo Paes (PSD) para governador, rompendo com Douglas Ruas (PL) na corrida ao Governo do Estado, a decisão do grupo governista provocou um distanciamento do bloco de políticos mais conservadores, explicitado na figura do PL e, consequentemente, dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL). Com a vitória de Douglas Ruas (PL) ao Governo do Estado e o forte “bolsonarismo” local, visto na expressiva votação de Flávio Bolsonaro nos dois turnos, Rogerio e Dudu deveriam dialogar com os partidos mais ligados à centro-esquerda. É aí que entra a reforma política, capaz de arejar mais a administração municipal e agregar novos grupos políticos para o projeto de 2028.

Sintetizando

Se o grupo governista não dialogar com as legendas progressistas do campo da centro-esquerda, o bloco situacionista ficará mais vulnerável para as eleições de 2028. Dudu saiu das urnas, em 2024, com a maior votação histórica da cidade, obtendo 292.459 votos. Este era um momento em que a política apresentava um quadro diferente do atual. As alianças permitiram essa votação histórica que Dudu obteve, mas não acredito que terá como reeditar a mesma frente partidária. À época, havia o Governo do Estado apoiando Dudu Reina, mas agora é diferente. O cenário com a reeleição de Lula (PT) para presidente e a vitória de Douglas Ruas (PL) para governador mudou tudo completamente. Mostra que Dudu terá poucas escolhas a fazer. Ou faz um governo de maior diálogo com a centro-esquerda ou verá a extrema direita, com personagens da direita, unida contra ele.

Para finalizar…

Olhando bem, exceto Dudu, Rogerio Lisboa (PP) e Dr. Luizinho (PP), quem, nas bases, está fazendo política de fato no governo e para o governo? Vejo que os canais têm sido poucos, quando não subutilizados.