QUANDO QUE OS “PODERES” NÃO PODIAM - Correio da Lavoura

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17 de ago. de 2026

QUANDO QUE OS “PODERES” NÃO PODIAM

*Almeida dos Santos


Logo após o povoado de Iguassú ser elevado à condição de Vila de Iguassú, em 15 de janeiro de 1833, por dois anos ficou ativa a sua “autonomia” administrativa, mas quem realizava as funções executivas, hoje de competência da Prefeitura, era a Câmara. Só que, através da promulgação da Lei Provincial nº 14, de 13 de abril de 1835, a Vila de Iguassú foi extinta. A lei tornava sem efeito a criação do município, restituído somente em 1836, mas com a peculiaridade de perder parte do território. E, como disse, naquela época, a Câmara Municipal da Vila de Iguassú é quem exercia as funções legislativas e executivas, já que não existia o que hoje conhecemos como Prefeitura, que só passou a existir em 1919, cerca de 86 anos depois de criada a Vila de Iguassú.

Passados os 100 anos desde a criação do município, no dia em que Nova Iguaçu comemorava o seu centenário, por ocasião do regime, a situação estava às avessas. Era diferente! É que, em 11 de novembro de 1930, através do Decreto nº 19.398, Getúlio Vargas dissolvia as câmaras municipais, que só voltaram em 1936. Com isso, a Câmara Municipal, em 1933, justamente no ano do centenário de Nova Iguaçu, era ela que estava dissolvida (fechada).

Em outras palavras, aí está o paradoxo: em 29 de julho de 1833, a Câmara Municipal da Vila de Iguassú foi instalada. Não existia o Poder Executivo e, em 1835, a Vila de Iguassú foi extinta, voltando a existir em 1836. Passado justamente um século desse evento importante na história iguaçuana, no dia 15 de janeiro de 1933, quando se festejava um século da elevação à condição de município, o que existia era o Poder Executivo, enquanto a Câmara Municipal de Nova Iguaçu tinha sido dissolvida, voltando apenas em 1936. O inverso dos acontecimentos que marcaram os anos iniciais da Vila de Iguassú.

Para finalizar as curiosidades sobre o centenário da cidade, o obelisco erguido na Praça da Liberdade, que, na época, se chamava Praça 14 de Dezembro, foi uma homenagem ao Comendador Soares, mas a imagem deste mesmo obelisco, por muito tempo, serviu como brasão iguaçuano. Exatamente isso! No meio da praça, na forma de uma obra de arte de autoria de Benevuto Berna, o obelisco era a imagem do brasão da cidade.

*Almeida dos Santos é jornalista.