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| (Fotos: Divulgação/Cultura na Faixa) |
A história da escravidão faz parte da formação do Brasil, mas seus impactos não se limitam ao passado. Eles permanecem presentes nas desigualdades sociais, nas disputas por reconhecimento e na necessidade permanente de valorização da identidade e da cultura afro-brasileira.
No Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição, celebrado em 23 de agosto, o Projeto Cultura na Faixa propõe um olhar para outro aspecto dessa história: a permanência dos saberes, das tradições e das manifestações culturais que atravessaram gerações e continuam presentes nas comunidades da Baixada Fluminense.
Por meio de duas oficinas, executadas em Nova Iguaçu e em Duque de Caxias, o projeto ajuda a preservar esse patrimônio imaterial de formas diferentes. A oficina Raízes e Tranças trabalha técnicas tradicionais associadas à ancestralidade negra, enquanto a Folia de Reis apresenta uma manifestação da cultura popular brasileira que, ao longo dos séculos, incorporou contribuições africanas em sua musicalidade, nos instrumentos, na oralidade e na forma de organização comunitária.
Geraldo Bastos, gerente de RH e Mobilização Social do Cultura na Faixa, explica que não se trata apenas de ensinar uma prática artística. “As atividades procuram aproximar crianças, adolescentes e jovens de suas referências culturais, estimulando o reconhecimento da diversidade que compõe a identidade brasileira”, explicou.
A importância dessa atuação é mostrada em pesquisa realizada no território do Geneciano, em Nova Iguaçu. Na oficina Raízes e Tranças, 72,4% das participantes se autodeclaram pretas ou pardas, enquanto 17,2% pertencem a comunidades tradicionais, como povos de terreiro e famílias ligadas à agricultura familiar da região.
Na oficina de Folia de Reis, a presença da população negra também é predominante: 81,6% dos participantes se autodeclaram pretos ou pardos, demonstrando como a manifestação continua presente nas comunidades e mobiliza novas gerações.
Segundo Bastos, preservar essas manifestações significa também fortalecer a autoestima e o sentimento de pertencimento. “Quando um jovem conhece a história das manifestações culturais presentes no próprio território, ele compreende que faz parte de uma tradição construída por diferentes povos. A valorização da cultura afro-brasileira não está apenas na preservação da memória, mas também na possibilidade de reconhecer identidades, combater o racismo e fortalecer o pertencimento das novas gerações”, conta.
Esse trabalho vai além das oficinas. Ao longo dos quase dois anos de projeto, o Cultura na Faixa promove ações de direitos humanos, visitas a equipamentos culturais e atividades voltadas à valorização da cultura negra, criando oportunidades para que os participantes conheçam referências históricas e contemporâneas ligadas à luta por igualdade racial. Entre essas iniciativas está a participação de jovens do projeto na ação "Raízes do Orgulho", realizada em parceria com a Casa do Menor, voltada ao empoderamento negro e à valorização da cultura afro-brasileira.
Ao relacionar memória, cultura e participação comunitária, o projeto reforça que a preservação das tradições afro-brasileiras também passa pela criação de espaços onde crianças e jovens possam conhecer sua história, reconhecer suas origens e construir novas referências para o futuro.
O Projeto Cultura na Faixa é uma iniciativa da ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), realizada por meio de convênio com a Transpetro, oferecendo atividades gratuitas de cultura, esporte e cidadania para crianças, adolescentes, jovens e suas famílias.

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