Capacitação oficial do RJ Transplantes reuniu 23 médicos de UTIs do Noroeste Fluminense e da capital para padronizar processos que impactam diretamente a fila de doação de órgãos
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| (Foto: Divulgação/Unig) |
Pela primeira vez, o campus da Universidade Iguaçu (Unig) em Itaperuna sediou o treinamento oficial da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) voltado para a determinação de morte encefálica. A capacitação, realizada de forma inédita na região em parceria com o RJ Transplantes e a Organização de Procura de Órgãos (OPO), qualificou 23 médicos que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e emergências de hospitais de Campos dos Goytacazes, Itaperuna e do Rio de Janeiro. O objetivo da imersão é garantir que as equipes da linha de frente realizem o diagnóstico com precisão técnica, agilidade e humanização, etapas determinantes para o acolhimento das famílias e a efetivação segura da doação de órgãos.
A descentralização do curso evita o deslocamento dos profissionais do interior para o Rio de Janeiro e fortalece o atendimento nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da região Noroeste e Norte Fluminense. Segundo o Dr. Agostinho Boechat Neto, intensivista, capitão do Corpo de Bombeiros e professor de Medicina da Unig, a capacitação ataca diretamente os gargalos de tempo no atendimento ao paciente grave.
“O médico que atende o paciente grave é quem primeiro identifica que pode haver morte encefálica. Quando esse profissional está bem treinado, ele evita atrasos, falhas e dúvidas no processo, o que faz diferença não apenas para aquele paciente, mas para outras pessoas que aguardam por um órgão”, explica Boechat.
Em 2024, a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro superou a marca de 1,6 mil transplantes realizados, segundo dados do governo estadual. Contudo, a taxa de recusa familiar ainda é um obstáculo histórico que trava cerca de um terço das potenciais doações. É justamente nesse ponto em que o treinamento em Itaperuna atua.
Para reproduzir a tensão da rotina hospitalar, a capacitação utiliza o Laboratório de Habilidades e Simulações Realísticas da Unig. O curso tem oito horas de duração, divididas entre teoria e prática, conforme as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM). No local, os médicos executam testes de apneia, exames neurológicos e interpretam laudos para a conclusão do diagnóstico.
Além do rigor técnico, a simulação exige que os profissionais treinem o momento mais sensível do processo: o anúncio do óbito e a entrevista para doação de órgãos. Como o coração do paciente com morte encefálica continua batendo por aparelhos e o corpo permanece aquecido, a falta de clareza do médico pode gerar desconfiança nos familiares.
“O maior desafio é explicar uma situação muito difícil de compreender. A família precisa entender o que está acontecendo, mas também precisa ser acolhida. A boa comunicação evita confusão e permite que os familiares se sintam respeitados durante todo o processo”, ressalta o professor.
Ao final do treinamento presencial, os 23 médicos passam por testes avaliativos teóricos e práticos de proficiência. A aprovação nestas etapas é uma exigência do Conselho Federal de Medicina (CFM) para habilitar o profissional a conduzir e fechar o protocolo de morte encefálica oficialmente em suas unidades de saúde de origem.
