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22 de jun. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


Há 135 anos

Tomando como base o que escreveu o historiador Waldick Pereira no livro A Mudança da Vila - lançado em 1970 e republicado em 1997 -, conforme consta na página 101, no último dia 11 de junho completaram-se 135 anos de um fato marcante para a história da Câmara Municipal e da cidade.

A data remete à realização da primeira sessão da Câmara Municipal em Maxambomba. Até então, a sede do município funcionava na Vila de Iguassú. Foi por meio do Decreto Estadual nº 204, de 1º de maio de 1891, assinado pelo governador Portela, que a sede administrativa foi oficialmente transferida para Maxambomba.

Assim, embora a mudança tenha sido oficializada em 1º de maio de 1891, somente em 11 de junho daquele ano ocorreu a primeira sessão da Câmara Municipal - que, à época, ainda acumulava funções legislativas e executivas - no território que hoje conhecemos como o Centro de Nova Iguaçu e que permanece, na memória afetiva dos iguaçuanos, como Maxambomba.

É justamente por isso que o Brasão de Nova Iguaçu traz os anos de 1833, referente à criação do município, e de 1891, alusivo à transferência da sede administrativa.

Efeméride importante

Como costumo escrever, normalmente celebramos apenas o dia 15 de janeiro, em referência ao ano de 1833, como a principal data da história de Nova Iguaçu. Sem dúvida, trata-se de uma efeméride importantíssima, pois marca a criação do município. No entanto, há outras datas igualmente relevantes que merecem ser lembradas.

O prefeito Dudu Reina, por exemplo, quando presidiu a Câmara Municipal, tomou uma iniciativa repleta de significado. Em 29 de julho de 2023, fez questão de celebrar os 190 anos da instalação da Câmara, resgatando uma data que havia caído no esquecimento. Foi exatamente em 29 de julho de 1833 que os primeiros vereadores tomaram posse, conferindo efetiva autonomia administrativa à vila criada em 15 de janeiro daquele mesmo ano.

Governador Portela

Muitas pessoas que circulam diariamente pela cidade desconhecem a origem do nome da Av. Governador Portela, onde atualmente estão instaladas, entre outros órgãos, a Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (Fenig), a Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

O homenageado é justamente o governador Portela, responsável por assinar o decreto que transferiu a sede administrativa de Iguassú Velha para Maxambomba, atual Nova Iguaçu.

A mudança, mas de nome

Vinte e cinco anos após a transferência da sede administrativa para Maxambomba, ocorrida em 1891, outro marco merece ser lembrado. Por iniciativa do deputado Manoel Reis, a Lei Estadual nº 1.331, de 9 de novembro de 1916, alterou o nome do município para Nova Iguaçu, numa clara referência à antiga Vila de Iguassú.

Quem conhece, ama!

De nada adianta esperar que o povo iguaçuano desenvolva um verdadeiro sentimento de pertencimento se, por outro lado, não compartilharmos melhor a história da cidade. A população demonstra enorme interesse em conhecer o passado do município, de seus bairros e de seus personagens.

Um exemplo disso é o sucesso do Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI). Em pouco tempo de funcionamento, o espaço conquistou o carinho e o orgulho dos iguaçuanos - e não poderia ser diferente.

Além dos moradores da cidade, visitantes de diversas regiões, entre curiosos, pesquisadores e estudiosos, têm ido a Iguassú Velha para conhecer e reconhecer a importância da nossa história.

O secretário municipal de Cultura, Marcus Monteiro, dedicou-se intensamente à idealização e à concretização do museu, contando com a sensibilidade do ex-prefeito Rogerio Lisboa e, agora, com o entusiasmo do prefeito Dudu Reina. Hoje, o MAE-NI já se tornou uma referência nacional.

Reafirmo que o museu representa um feito incontestável para Nova Iguaçu, despertando orgulho e atraindo um público cada vez maior. Mas podemos avançar ainda mais. A recuperação dos espaços físicos, promovida pelos atuais gestores, é digna de reconhecimento. Contudo, também precisamos valorizar nossa memória por meio das efemérides e da preservação da trajetória dos personagens que construíram a história da cidade. O patrimônio imaterial também merece ser registrado, difundido e celebrado.