*Jorge Gama
As relações diplomáticas são uma das atividades mais sensíveis e relevantes na convivência entre pessoas, empresas, organismos internacionais e nações.
Atitudes, gestos, momentos oportunos, omissões, presenças, ausências e palavras são elementos fundamentais a serem observados nas relações diplomáticas.
Mais recentemente, os trajes ganharam destaque, dependendo do teor do evento, em que uma vestimenta extravagante, em um momento solene, pode ter uma interpretação política.
O diplomata de carreira é cuidadosamente preparado para percorrer uma trajetória oferecida pelo Ministério das Relações Exteriores, na qual as diversas etapas e os cargos que ocupa lhe asseguram um sólido conhecimento teórico e, sobretudo, prático das mais variadas situações no cenário internacional.
A diplomacia do Estado brasileiro conta com diplomatas cultos e muito bem preparados, com reconhecimento internacional.
Os fóruns internacionais reconhecem e aprovam as tradições de nossa escola diplomática.
Toda vez que a voz do Itamaraty representa o Estado brasileiro nos organismos internacionais, afastada do partidarismo do governo de ocasião e representando nossas melhores vocações de política externa, nosso prestígio é reconhecido.
Mais recentemente, o Governo Lula tem adotado uma política externa com duas vozes, em que o chanceler é uma voz quase simbólica, assim percebida nos fóruns internacionais, e outra paralela, informal, de conotação esquerdista, afastada dos limites constitucionais, das formalidades e dos ditames do próprio Itamaraty. Essa dubiedade diplomática concorre, visivelmente, para acentuar o descrédito de nossas relações exteriores.
O Ministério das Relações Exteriores, organismo de Estado, e o próprio Senado da República, por meio de sua Comissão de Relações Exteriores, assistem passivamente a esse desgaste continuado, marcado por gafes e vexames das extensas comitivas presidenciais e do próprio Presidente no exterior, sem a menor reação institucional.
Quando a República, sem a menor reação, permite que seu Presidente atue em causa própria, sem os limites diplomáticos ditados pelo Ministério das Relações Exteriores ou em consonância com a Comissão de Relações Exteriores do Senado da República, contribui, em um ambiente no qual a geopolítica se torna cada vez mais relevante, para o declínio de nossa posição nesse universo.
Por mais importante que seja o cargo de chanceler em uma carreira diplomática, o Sr. Mauro Vieira, tratado aos gritos e palavrões pelo Presidente da República, deveria adotar um olhar mais ampliado para seus pares, para o povo brasileiro e para o Brasil e simplesmente dizer: “Estou fora”.
*Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.
