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29 de jun. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


A fama de um esquecido

Ele não foi popular em Nova Iguaçu, mesmo sendo o iguaçuano escolhido patrono da Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras, cujo ocupante foi ninguém menos que Leopoldo Machado. Trata-se de Antônio Avelino de Andrade, que foi prefeito interventor em Barra Mansa (1923 e 1924) e “juiz” do TCE (1925 e 1926). Seu pai, o Ten. Joaquim Pedro de Andrade, integrou a Guarda Nacional e foi suplente de vereador, ocupando a cadeira entre 1878 e 1880. Virou até nome de uma importante rua na “Iguassú Velha”. Engraçado é que a grandeza do filho também está relacionada ao Legislativo municipal. Avelino foi procurador da Câmara quando ocorreu a transferência da sede para Maxambomba. Não bastasse isso, seu nome está registrado na história da música brasileira como parceiro da maestrina Chiquinha Gonzaga. Parceiro e confidente! Avelino escreveu peças teatrais musicadas por ela. Inclusive, uma parceria dos dois foi apresentada em Lisboa (Portugal), com enorme sucesso de crítica. Antônio Avelino de Andrade era tão aliado de Chiquinha Gonzaga que, em 1917, participou ao seu lado, desempenhando um importante papel na fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

Uma curiosidade

Antônio Avelino de Andrade (1867-1937) foi advogado, poeta, dramaturgo, jornalista, ex-prefeito, membro do TCE e, nascido em Nova Iguaçu, foi procurador da Câmara de Maxambomba, em 1896, atuando na defesa dos interesses do município e evitando uma situação inusitada, como, por exemplo, a necessidade de pagar dois aluguéis de prédios diferentes para o Poder Legislativo, enquanto a Câmara ocupava apenas um. Mas essa é uma outra história.

Parceria com a maestrina


A proximidade entre Antônio Avelino de Andrade e Chiquinha Gonzaga não foi breve. Foram anos de parcerias teatrais que resultaram em peças como: “Adão e Eva”; “A Bota do Diabo”; “Ordem e Progresso”; “Conspiração do Amor” (ilustração) e “O Perdão”, nas quais o poeta Antônio Avelino escrevia os textos musicados por ela. Nas obras em parceria com Chiquinha Gonzaga, a poesia de Avelino revelava muito mais do que lirismo. A ironia também é uma característica marcante de sua escrita, especialmente na obra “Ordem e Progresso”.

A ironia do artista

Artista versátil, crítico e irônico, Antônio Avelino de Andrade usou pseudônimos ao escrever para jornais. No jornal “O Paiz”, na década de 1890, assinava uma coluna chamada “Foguetes”. Era dali que disparava os seus, só que sob o pseudônimo de “Busca Pé”. Ainda nesse jornal, manteve outra coluna, assinada como “Carino”. Nela, Antônio Avelino defendia a arte nacional por meio de análises dos espetáculos teatrais da época. Mas é bom frisar: em defesa da arte. Outros dois pseudônimos, inclusive utilizados na parceria com Chiquinha Gonzaga, eram Antonico e Dom Velasco.

Falta reconhecimento

Antônio Avelino de Andrade, assim como Carmelita Brasil - a primeira vereadora da história de Nova Iguaçu -, não virou nome de rua. Pela sensibilidade do prefeito Dudu Reina, quando presidente da Câmara, Carmelita tornou-se nome de uma comenda do Poder Legislativo Municipal. Mas acho que poderíamos ir além. Qualquer cidade que fosse berço desses dois personagens teria orgulho de homenageá-los com nomes de ruas ou de equipamentos públicos. Seria uma honraria não apenas aos personagens, mas também à própria cidade.

Sempre falo...

Nova Iguaçu, extraordinariamente, possui nomes de pessoas que nasceram em suas terras e que representam patrimônios que ultrapassam as fronteiras iguaçuanas. Alguns são reconhecidos nacionalmente e outros, até mesmo fora do Brasil. Pessoas que deixaram legados enormes e que poderiam contribuir ainda mais para fortalecer o orgulho iguaçuano caso seus nomes fossem mais popularizados.