ENTRETEMPOS - TRIO DE ARTISTAS VISUAIS NO POETAS&AFINS - Correio da Lavoura

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11 de jun. de 2026

ENTRETEMPOS - TRIO DE ARTISTAS VISUAIS NO POETAS&AFINS

Kátia Borges (2026) - (Fotos: Divulgação)

Imagine uma viagem a um tempo distante, diante de dois grandes mestres, em uma época em que a ponta do lápis ditava o valor do mundo. O desenhista possuía um traço reconhecido; sua imaginação era o espelho exato dos acontecimentos políticos e sociais que marcaram uma época.

Ney Crespo e Mauro Azeredo ícones de trajetórias distintas. Mauro registrava o patrimônio histórico do município de Nova Iguaçu em minuciosas gravuras e bicos de pena, desenhando a nossa história passada; Ney, consagrado cartunista da região, eternizava e ainda o faz, em suas charges a nossa história presente e os desdobramentos satíricos do dia a dia. Ambos compartilham a mesma sensibilidade poética e preocupação com os caminhos da cidade.

Kátia Borges (2026)

Entretanto, "EntreTempos" - a exposição coletiva de uma única noite, sob a curadoria de Lafayette Suzano - expressa um passado que clama por memória e lança luz sobre uma artista que floresce. Kátia Borges nos afasta do sentimentalismo jocoso. Ela traz, em suas experiências pictóricas graciosas e profundas, as imagens puras de seu inconsciente, enquanto já ensaia asas e se prepara para voos maiores: futuras exposições na Galeria Originada e no Centro Cultural Bhering.

Esse trio "EntreTempos" nos envolve de arte no Bar do Ananias, na última quinta-feira do mês de junho, dia 25, a partir das 19h, integrada à 142ª edição do projeto Poetas&Afins realizados por escritores da Baixada Fluminense. Uma noite única na Nova Iguaçu - que em Tupi significa "Rio Grande". O evento não esconde o tempo: ele transborda nossas trajetórias, escorre por nossas memórias e enriquece o nosso presente.

Uma noite, uma canção: embalos que afagam a lembrança e evocam a genialidade de Jacob do Bandolim. Em sua melodia clássica, que mais tarde ganhou versos (letra de Hermínio Bello de Carvalho) dizendo "Todas as vezes que sonho é você que me rouba a justeza do sono", sentimos assim o pulsar da canção de "Noites Cariocas". Faço destas palavras a minha dedicatória para a artista que nasce. Sendo eu um eterno indigno - porém merecedor - do meu próprio descanso, lanço ao mundo este " EntreTempos ".

(Texto de Antônio Filipak)