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19 de mai. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


Complexo e simples

O Complexo Cultural Mario Marques, constituído pelo Teatro Sylvio Monteiro, pela Casa de Cultura Ney Alberto, pela Biblioteca Cial Brito e pela Galeria Mauro Azeredo, é um espaço consagrado à arte, homenageando nomes reconhecidos pelo que fizeram pela cultura. A beleza do complexo transforma-o, discretamente, em uma “pérola” cravada no coração da cidade, na Rua Getúlio Vargas, cujas árvores emolduram o entorno, quase como um abraço ao espaço.

Criado na gestão do ex-prefeito Mario Marques, quando Nelson Freitas era secretário de Cultura, o complexo foi entregue à população em 30 de setembro de 2004. Desde então, tornou-se palco de grandes exposições, capitaneadas pelo atual secretário Marcus Monteiro, como a recente mostra “Arte e Devoção”, que contou inclusive com obras de Aleijadinho, além da exposição atualmente em cartaz sobre os 50 anos da Fenig (Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu).

A beleza arquitetônica

A imponência do imóvel - antiga propriedade e residência da família de Angelo Di Gregório, empresário próspero durante o período áureo da citricultura na antiga “Cidade dos Laranjais” - faz da casa um verdadeiro cartão-postal iguaçuano. Seu estilo arquitetônico eclético, com forte influência italiana, traduz a presença marcante dos grandes citricultores da época.

A família

Angelo Di Gregório, proprietário e morador da residência, nasceu em 14 de setembro de 1890, em Eboli, na província de Salerno, no sul da Itália. Foi ele quem mandou construir o casarão para viver com a esposa, Lívia Maria Rinaldi, e os filhos Paulino Vicente Di Gregório, Luísa Di Gregório, Lívia Di Gregório, Antonio Di Gregório, Conceição Di Gregório Costa, Italia Di Gregório Neves, João Di Gregório e Duilio Di Gregório. Todos os filhos do casal nasceram em Nova Iguaçu, e ainda hoje há descendentes da família vivendo na cidade.

Um vereador na família

Vale destacar que o irmão de Lívia Maria Rinaldi foi o vereador Pantaleão Rinaldi, que integrou a legislatura de 1936 a 1939 ao lado de nomes importantes da política local, entre eles Getúlio de Moura, Sebastião Herculano de Matos, Tenório Cavalcante e o tabelião Murilo Augusto Esteves da Costa.

Curiosidades

Pouca gente sabe que o imóvel onde hoje funciona o Complexo Cultural Mario Marques já abrigou o Fórum de Nova Iguaçu, antes da inauguração do Fórum Itabaiana - marco da arquitetura modernista no estilo Bauhaus. Posteriormente, o casarão passou a sediar o Colégio Rio de Janeiro. Em outras palavras, o espaço que atualmente reverencia a arte e a cultura já serviu à Justiça e à Educação.

Patrimônio Cultural Imaterial do Estado

No próximo dia 23 de junho de 2026, a Casa de Cultura completará um ano desde que foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, por iniciativa do deputado estadual Carlinhos BNH, por meio da Lei nº 10.822, de 23 de junho de 2025.

Celebração

Em 1934, por ocasião do aniversário do filho Antonio, o casal Angelo Di Gregório e Lívia Maria Rinaldi recebeu convidados para um banquete servido pela tradicional Casa Cavé, confeitaria fundada por um imigrante francês no Centro do Rio de Janeiro, em 5 de março de 1860. Entre os convidados estavam personalidades como o então prefeito Sebastião Arruda Negreiros, Sebastião Herculano de Mattos e até o Pe. João Mush. O registro da celebração consta no jornal “A Crítica”, de 11 de novembro de 1934, órgão informativo da família do inesquecível Silvino Hypólito de Azeredo Coutinho.