*Jorge Gama
Os limites de tolerância da população diante dos desmandos do Estado brasileiro são amplos e já deveriam servir de alerta para a construção de um novo pacto federativo.
A índole tolerante do nosso povo merece reconhecimento por meio da elaboração de um pacto social e político em favor de um verdadeiro Estado Democrático de Direito.
Um pacto de reconstrução, baseado na reafirmação dos princípios democráticos, dos direitos e dos deveres, traria benefícios capazes de evitar os prejuízos sociais e políticos provocados pelo ambiente de crise contínua que estamos vivenciando.
Após um longo período de regime autoritário, superado por uma fase de avanços constitucionais que hoje dá sinais de esgotamento, não devemos ultrapassar todos os limites da crise para, somente então, alcançarmos as melhores práticas de um regime democrático.
Não podemos permitir o aprofundamento de uma crise institucional, acumulando prejuízos sociais contra a maioria da população, para somente depois recorrer a soluções apressadas e consensos frágeis.
Ao contrário, nossa experiência política - hoje muito mais informada e madura -, somada à resiliência do povo brasileiro, nos obriga a refletir sobre a oportunidade de alcançar melhores resultados institucionais com menores custos sociais, diante dos prejuízos já contabilizados.
Não devemos nos deixar impressionar por interesses menores e imediatistas, sustentados pelos defensores do “tudo ou nada” ou pela lógica de vencidos e vencedores, que quase sempre conduzem ao conformismo e nos afastam do caminho da soberania nacional. Isso se torna ainda mais grave em um cenário geopolítico cada vez mais desfavorável à nossa fragilidade interna e à desorientação institucional do país.
Se não conseguirmos construir um pacto em torno das nossas melhores vocações internas, nossa soberania estará comprometida neste mundo globalizado.
O Estado brasileiro deve ser o primeiro a reconhecer suas crises e buscar a reconciliação com a Nação, que tem feito a sua parte ao demonstrar uma tolerância muito acima da média observada nas sociedades mais desenvolvidas.
*Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.
