CEL. ERNESTO FRANÇA SOARES, O NETO DO COMENDADOR SOARES QUE VIROU PREFEITO APÓS DISPUTA JUDICIAL CONTRA MÁRIO PINOTTI - Correio da Lavoura

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16 de mar. de 2026

CEL. ERNESTO FRANÇA SOARES, O NETO DO COMENDADOR SOARES QUE VIROU PREFEITO APÓS DISPUTA JUDICIAL CONTRA MÁRIO PINOTTI

*Almeida dos Santos


Ernesto França Soares é um personagem importante para Nova Iguaçu. Sua história de vida é, no mínimo, muito curiosa. Neto do Comendador Soares e filho do Cel. Francisco José Soares, Ernesto foi o terceiro nome da família a presidir a Câmara Municipal de Nova Iguaçu. Um caso raro em que o avô, o filho e o neto presidiram a mesma Câmara.

E foi justamente como presidente da Câmara que Ernesto França Soares protagonizou uma das maiores disputas jurídicas na definição de quem comandaria a Prefeitura de Nova Iguaçu, em 1919. Tratou-se de um enfrentamento à nomeação de Mário Pinotti, indicado para ser o prefeito do município.


Na condição de presidente da Câmara Municipal de Nova Iguaçu, Ernesto França Soares, junto com o Cap. Antônio da Silva Chaves e Pythias de Castilho Lobo, lutou contra a nomeação de Mário Pinotti para assumir o comando do recém-instituído Poder Executivo Municipal. Até então, era o presidente da Câmara quem acumulava as funções legislativas e executivas. A nomeação de Pinotti retirava poderes de Ernesto França Soares e, na política, perder poderes é como perder prestígio e força - algo inaceitável.

Após a disputa judicial e a concessão de habeas corpus, a passagem de Mário Pinotti pelo comando da Prefeitura de Nova Iguaçu restringiu-se ao período de 2 de dezembro de 1919 a 10 de julho de 1920. Isso ocorreu em razão da vitória de Ernesto França Soares na Justiça, ao obter esse habeas corpus com base no artigo 68 da Constituição então em vigor. Ainda assim, foi curto o período em que Ernesto exerceu a função de prefeito de Nova Iguaçu.

Presidente da Câmara de Nova Iguaçu e tabelião do Cartório do 1º Ofício, segundo informa o jornal Correio da Lavoura na edição de 15 de julho de 1920, o Cel. Ernesto França Soares faleceu de forma repentina. Assim relatou o jornal:

“Foi vítima de um colapso cardíaco, falecendo quase que instantaneamente, quando caçava, domingo último (11 de julho de 1920), nas matas de Xerém, em companhia de vários amigos. Achava-se a cavalo quando o seu rosto, sofrendo fortes contrações, foi notado pelos companheiros, que correram a ampará-lo, conseguindo tirá-lo do animal; mas o Coronel França Soares teve poucos minutos de vida”.

Ainda sobre a notícia publicada no Correio da Lavoura, observa-se que o Cel. Ernesto França Soares já não residia mais em Nova Iguaçu, conforme revela a continuidade da reportagem sobre sua morte:

“Os seus desolados companheiros trataram de remover o cadáver para a residência de sua família, na Estação do Meyer, nº 38, em um trem especial do Rio D’Ouro até Inhaúma”.

FAMÍLIA DO CEL. ERNESTO FRANÇA SOARES

Neto do Comendador Soares e filho do Coronel Francisco José Soares e de Francisca Carolina da Silva Soares, o então prefeito empossado em Nova Iguaçu no ano de 1920, Ernesto França Soares, casou-se com Maria do Nascimento Soares em 21 de dezembro de 1878.

Em 44 anos de casamento, o casal teve os seguintes filhos: Thereza França Soares; Ernesto França Soares Filho; Nelson França Soares; Octávio Soares; Eulália Calarinho França Soares; Marcionílio França Soares; Álvaro França Soares; Maria José França Soares; Humberto França Soares; Zaida França Soares e José França Soares.

Ernesto França Soares faleceu aos 66 anos, no exercício da função de prefeito municipal da cidade de Nova Iguaçu, cargo que ocupou entre 2 de dezembro de 1919 e 10 de julho de 1920.

*Almeida dos Santos é jornalista.