TROCANDO EM MIÚDOS - Correio da Lavoura

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19 de jan. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


Para refletir
Nossas ruas deveriam ser vistas não apenas como caminhos ou endereçamentos postais. Elas registram nomes de personagens que têm histórias. Mas nem sempre essas histórias são respeitadas ou conhecidas. Assim, mudam-se nomes, afetando simbolismos. É o caso da Rua Dr. Thibau — que se refere ao médico Dr. João da Costa Fernandes Tibau —, que no passado atravessava a linha férrea e se estendia pela atual Travessa Mariano de Moura, encontrando-se com a antiga Rua Dona Bibiana Emília, sua esposa, que acabou se transformando, nos dias de hoje, na Av. Amaral Peixoto.

Para refletir II
No passado, o encontro das ruas Dr. Thibau e Dona Bibiana Emília era proposital e se referia ao casal que doou o terreno para a construção da Catedral de Nova Iguaçu. E o que aconteceu? Com o tempo, mudando aqui e ali, não só trocaram como apagaram o nome dela. Não bastasse isso, transformaram o trecho da Dr. Thibau em Travessa Mariano de Moura. Criaram o verdadeiro desencontro de um casal que dava até uma poética às ruas. Com tantas mudanças, o trecho da Rua Dr. Thibau foi alterado, a Rua Dona Bibiana teve seu nome apagado da história, por culpa de algum agente público que meteu o bedelho na relação, desfigurando toda a simbologia que existia. Não só a simbologia, mas também o nome e a importância que Dona Bibiana teve ao doar terrenos para o desenvolvimento de Nova Iguaçu.

Para refletir III
Em alguns lugares, a grafia do nome aparece como Dr. Thibau, mas o correto é Dr. Tibau, em referência ao médico Dr. João Fernandes da Costa Tibau, casado com Dona Bibiana Emília de Medeiros Gomes. Ele faleceu em 18 de abril de 1907, e Dona Bibiana faleceu em 24 de novembro de 1919. O casal não só doou o terreno para a construção da Catedral Santo Antônio de Jacutinga, como também foi proprietário de grande área em Nova Iguaçu, especialmente no bairro Moquetá. Por essas e outras questões é importante que, ao se pensar na mudança do nome de uma rua, ao menos se conheça a história de quem lhe dá nome. Foi dessa forma que encurtaram a Rua Dr. Tibau, alteraram parte de seu trecho e ainda apagaram o nome de Dona Bibiana.

Um sonho…
Sonho que, um dia, as placas das ruas possam conter, ao menos, pequenas referências aos homenageados. Isso acontece, por exemplo, em algumas ruas do Rio de Janeiro. Aqui seria necessário um setor cuidando disso. Nem que se comece pelas ruas principais e, paulatinamente, vá se espalhando por outras. Nossa história também pode ser compreendida pelo chão da nossa terra. Há órgãos que podem ser parceiros na construção desses registros, criando placas de ruas que informem sobre seus personagens e evidenciem sinais históricos no chão de nossas ruas.

Os 193 anos
Os 193 anos da fundação de Nova Iguaçu são uma oportunidade para olharmos não apenas para o passado, mas sobretudo para o futuro. Falo do bicentenário que se aproxima. Quem sabe criar, por lei, uma comissão própria para, desde já, começar a traçar os planos para uma festividade à altura. Esse é um assunto que pode surgir na Câmara de Vereadores, por meio de um projeto, inclusive colocando a Câmara, por intermédio da Comissão de Cultura, como participante do grupo criado para pensar o bicentenário. É óbvio que até 2033 haverá mudanças governamentais, mas o primeiro passo precisa ser dado para que, aos poucos, sejam construídas propostas capazes de marcar tão importante efeméride.

Observem…
Por ocasião do aniversário da cidade, sempre lembram do Comendador Soares. Sem dúvidas, foi importantíssimo para Nova Iguaçu. Mas Ignácio Antonio de Souza Amaral foi o primeiro governante da cidade e quase nunca é lembrado. Ele é o Barão do Guandu.