Um padre de aldeia - Correio da Lavoura

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30 de abr de 2019

Um padre de aldeia

Por Thiago Rachid

Os meses de abril e maio são sempre de celebrações na vida do bispo diocesano de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin. Foi em abril de 1969, há cinquenta anos, que este italiano de Loria foi ordenado presbítero. Trinta e um anos depois, em abril do ano jubilar de 2000, foi nomeado bispo e ordenado como tal no mês de maio do mesmo ano. E foi em um mês de maio, em 1944, em plena segunda grande guerra, que este sucessor dos Apóstolos de Jesus Cristo nasceu. No próximo dia quatro de maio completará setenta e cinco anos de vida e chegará à idade limite da atividade episcopal, dando lugar a Dom Gilson de Andrade, o atual bispo coadjutor de nossa diocese. Mais um acontecimento marcante em um mês de maio da vida deste sacerdote.
 

Passados dezessete anos de sua caminhada pastoral como chefe da Igreja iguaçuana, o saldo é positivo. Dom Luciano não tem o dinamismo que a complexidade do episcopado exige, sobretudo em uma diocese complicada como a de Nova Iguaçu. Com seu jeitinho de padre de aldeia, porém, Dom Luciano conseguiu pacificar aquela diocese dividida que encontrou. Para o bem e para o mal, marcou sua passagem como bispo diocesano com seu temperamento conciliador, simpático e tolerante que baixou um pouco a poeira dos conflitos da comunidade católica iguaçuana, mas que, por outro lado, tolerou o intolerável em algumas ocasiões.
 

Dom Luciano é um homem comum, simples, que gosta de coisas simples e comuns. Torcedor do Fluminense, o que revela a grandeza de seu espírito, adotou um critério claro na sua ação pastoral, que foi o de manter a harmonia, promover a alegria e semear a paz no seio do clero e do povo de Deus. Lutou contra o divisionismo e adotou como lema, ainda que inconscientemente, a célebre frase atribuída a São João XXIII: “vamos procurar o que nos une e não o que nos separa”. Orou com os protestantes, controlou como pode os adeptos da chamada Teologia da Libertação, celebrou em latim com os tradicionais, governou com moderação. Fez o que estava ao alcance de sua personalidade e, possivelmente, foi a pessoa certa para o momento em que governou a Igreja em Nova Iguaçu.
 

Indiscutivelmente, o nosso futuro Bispo Emérito é amado por muitos e deixará boas recordações de sua caminhada alegre e saltitante, de muitos pulinhos e muito jogo de cintura. Que Deus o conserve com vida e saúde por muitos anos, sempre rezando pelas cidades que formam a nossa diocese. E que o novo bispo, Dom Gilson, receba do Espírito Santo os Seus sete dons para corrigir o que precisa ser corrigido e aperfeiçoar o que há de bom na nossa caminhada enquanto filhos de Deus nesta terra iguaçuana, para maior glória de Deus e pela salvação das almas.
Viva, Cristo Rei!

(Crédito da foto do Bispo Dom Luciano Bergamin: Pastoral de Comunicação da Diocese).