*Jorge Gama
Conheci o Aeroclube como uma escola de pilotos. Vários amigos da juventude praticavam ali a aviação esportiva. Cito apenas dois: Mauro Rêgo, piloto amador, e Luiz Carlos Guedes, o Grajaú, com quem voei para completar sua caderneta de voo e que, mais tarde, tornou-se piloto profissional da Vasp. Certa vez, voltei com ele de BrasÃlia. Também tive a oportunidade de participar de voos de reconhecimento de helicóptero, sobrevoando Nova Iguaçu com o comandante Silva.
Durante muitos anos, o Aeroclube foi uma forte referência para Nova Iguaçu. A área, pertencente ao Ministério da Aeronáutica, foi cedida ao municÃpio e, posteriormente, passou ao Estado. Mais recentemente, o prefeito Dudu Reina vem buscando recuperar seu domÃnio.
Ao longo das últimas três ou quatro décadas, partes da área original foram destinadas ao Corpo de Bombeiros, ao Nova Iguaçu FC, à Universidade Rural e a outras atividades, restando aproximadamente 460 mil metros quadrados. Atualmente, parte desse espaço abriga um hospital provisório, instalado durante a pandemia.
Esse breve histórico ajuda a compreender a ocupação e as transformações de uma área de grande relevância para o municÃpio.
Diante do aproveitamento precário do espaço e da interrupção das atividades originais de aviação, surgem diferentes propostas. Alguns defendem a retomada das operações aeronáuticas; outros sonham com a implantação de um grande parque de lazer. Entretanto, a maioria da população desconhece a existência de um amplo Master Plan de logÃstica na Prefeitura, concebido para viabilizar o aproveitamento da área por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada).
O debate não deve se limitar à escolha entre um aeroclube e um parque. É necessário conhecer os estudos existentes, avaliar as alternativas e comparar seus benefÃcios econômicos, sociais e urbanÃsticos. A dimensão da área e sua localização privilegiada exigem planejamento, transparência e visão de futuro.
O Poder Executivo, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico, tem a oportunidade de promover consultas, encontros ou seminários destinados a buscar o melhor projeto para o aproveitamento desse espaço.
Um projeto bem estudado, construÃdo com participação e critérios técnicos, reduz o risco de decisões precipitadas, afastando propostas eleitorais radicalizadas e, muitas vezes, inoportunas.
Nova Iguaçu precisa encontrar a melhor destinação para esse patrimônio, conciliando o interesse público, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população.
*Jorge Gama é advogado e ex-deputado federal.
