Por Almeida dos Santos
Como o Supremo tem sido fonte de muito debate, resolvi trazer aqui algumas informações complementares às relações do Barão do Guandu, o primeiro governante de Nova Iguaçu (na época, Vila de Iguassú), que ligam o primeiro administrador da cidade a duas pessoas que passaram pelo Supremo Tribunal. Falo do sogro e do cunhado do Barão do Guandu, ambos ministros do Supremo. Então, vejam as notinhas abaixo:
Barão do Guandu
Quem acompanha esta coluna sabe que pesquisei, quando trabalhava no Centro de Pesquisas, Memória e Documentação Histórica Mario Marques, órgão da Câmara Municipal de Nova Iguaçu, os dados biográficos de Ignácio Antônio de Souza Amaral, o primeiro governante do município, em 29 de julho de 1833, e figura conhecida na história como Barão do Guandu. Hoje, inclusive, há no site da Fundação Educacional e Cultural de Nova Iguaçu (Fenig), pela sensibilidade do presidente Miguel Ribeiro, uma pequena biografia do Barão. A iniciativa da Fenig é louvável. Afinal, o espaço é o único na administração municipal destinado a falar de personalidades que contribuíram para engrandecer Nova Iguaçu. Em breve, constarão, no site, novos personagens. Mas, falando do Barão do Guandu, trago novas informações sobre ele.
O avô do Barão
Na biografia que fiz do Barão e que consta no livro “Personalidades Históricas de Iguassú - Império”, publicação que reúne mais de 30 personalidades iguaçuanas descritas por pesquisadores no livro, não coloquei no perfil do Barão as informações sobre o avô dele, um português chamado Antonio Manuel Bexiga, proprietário de terras às margens do Rio Guandu. Essa descoberta aconteceu depois da edição do livro. E mais: pesquisas dão conta de que o corpo de Manuel está enterrado no local onde existia a “nave” da Igreja Nossa Senhora da Piedade do Iguassú, ali perto da torre sineira, próxima do Museu Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE). Quando houver as escavações no local, é provável que vestígios de pessoas enterradas ali sejam encontrados.
Laços familiares
Na biografia que fiz do Barão do Guandu, escrevi que o sogro dele foi nada menos que o Dr. Lúcio Soares Teixeira de Gouvêa, ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Era pai de Maria José Soares Gouvêa, a segunda esposa do Barão e que, antes de ser esposa, foi cunhada. É aí que entra uma outra curiosidade que surgiu com o aprofundar das pesquisas. O ministro Lúcio, que também foi deputado na Constituição de 1823, era pai do Dr. Francisco Soares Bernardes de Gouvêa, que foi juiz em Iguassú e igualmente virou ministro do Supremo Tribunal de Justiça, nomeado em 20 de novembro de 1886, falecendo em 2 de novembro de 1889. Portanto, pai e filho, respectivamente sogro e cunhado do Barão do Guandu, ocuparam a cadeira na mais alta representação do Poder Judiciário brasileiro.
Juiz em Iguassú
Na sequência de curiosidades, antes de chegar ao cargo de ministro do Supremo, entre outubro de 1847 e janeiro de 1850, o Dr. Francisco Soares Bernardes Gouvêa foi juiz em Iguassú. Neste período, numa das suas passagens pela presidência da Câmara, mais precisamente entre 1849 e 1856, Ignacio Antônio de Sousa Amaral era presidente da Câmara. Logo, houve um momento em que os cunhados ocupavam cargos de destaque simultaneamente. Só é preciso acrescentar que, no ano em que o Dr. Francisco deixava a magistratura em Iguassú, curiosamente, é o mesmo ano em que Ignacio Antônio de Sousa Amaral era condecorado com o título de Barão do Guandu, fato que aconteceu em 3 de março de 1856.
Importância da pesquisa
Assim como pesquisei, com a saudosa jornalista Cláudia Maria, a história de Carmelita Brasil, a primeira mulher a ocupar um cargo político eletivo em Nova Iguaçu, continuo pesquisando a vida e as relações do Barão do Guandu, o primeiro governante municipal. Ao longo dos anos, com a devida importância, muito foi falado sobre o Comendador Soares. Porém, falar do Barão e aprofundar as buscas por respostas sobre o primeiro gestor municipal é algo que, muito mais que me atrair, verdadeiramente me desafia.
Cidadão Iguaçuano
Através de uma iniciativa do vereador Dr. Robertinho, publicada no dia 3 de setembro no Diário Oficial da Câmara Municipal de Nova Iguaçu e, conforme já vinha afirmando esta coluna, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Nova Iguaçu (IHGNI), Dr. José Luiz Teixeira, figura respeitada e querida na cidade, é o mais novo cidadão iguaçuano. Dr. Robertinho é o autor do título de cidadania iguaçuana e o mesmo vereador que consagrou o Dr. Zanon de Paula Barros, presidente de honra da entidade, também com um título de cidadania iguaçuana. Agora, Dr. José Luiz só aguarda a data da entrega do título de cidadania para celebrar com os amigos.
