CREA-RJ, CAU/RJ E COPPE/UFRJ SE UNEM POR UMA POLÍTICA DE ESTADO PARA A ENGENHARIA E A ARQUITETURA PÚBLICAS - Correio da Lavoura

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29 de set. de 2026

CREA-RJ, CAU/RJ E COPPE/UFRJ SE UNEM POR UMA POLÍTICA DE ESTADO PARA A ENGENHARIA E A ARQUITETURA PÚBLICAS

O presidente do CREA-RJ, a diretora da Coppe/UFRJ e o presidente do CAU/RJ, que assinaram
nesta segunda a carta-compromisso pela Engenharia e arquitetura públicas (Divulgação Crea-RJ)

O futuro governador do Estado do Rio de Janeiro está diante de uma oportunidade única e inédita de adotar uma política de estado para o desenvolvimento da engenharia e arquitetura públicas, com a consultoria de uma entidade de excelência, que é a Coppe/UFRJ, e de dois conselhos profissionais da área tecnológica – o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ) e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ). Basta ler com toda a atenção a carta-compromisso lançada em solenidade na Coppe/UFRJ, no campus da UFRJ. A adoção das propostas poderá salvar vidas em todo o estado na prevenção às tragédias climáticas.

Os representantes das três entidades assinaram na manhã desta segunda-feira, dia 28, a carta-compromisso que será enviada a candidatos ao governo do estado e ao senado, defendendo desde o fortalecimento do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA) até a criação de estruturas estaduais voltadas para a prevenção de enchentes e deslizamentos – a exemplo da Rio Águas e da GEO Rio, do município do Rio – passando pela presença de engenheiros e arquitetos à frente de órgãos públicos com atividade-fim no setor.

O documento propõe que o IEEA exerça nas áreas técnicas função equivalente à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito jurídico, com planos de carreira e formação continuada. A carta sugere também a criação de uma secretaria estadual de recuperação da infraestrutura para estabelecer estratégias permanentes de recuperação e renovação das infraestruturas existentes.

O presidente do CREA-RJ, engenheiro Miguel Fernández – idealizador do movimento – lembrou que é inédita a iniciativa de fazer a carta.

“A gente acabou de assinar uma carta inédita que une o CREA do Rio de Janeiro, o CAU/RJ (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro) e a Coppe/UFRJ, traçando uma visão delongo para o desenvolvimento do setor tecnológico, da Engenharia e da Arquitetura públicas do nosso estado”, afirmou Fernández, que detalhou o conteúdo do documento.

A proposta está estruturada em três eixos centrais de atuação. O primeiro deles, focado na capacidade técnica de planejar e executar, defende o fortalecimento institucional do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA),conferindo-lhe uma funçãotécnica permanente análoga à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito jurídico, com financiamento garantido por contratos de obras e serviços públicos.

Ainda no primeiro eixo, as entidades defendem a ocupação de posições estratégicas nos órgãos de atividade-fim — tais como DER-RJ, EMOP-RJ, CEDAE, INEA, CEHAB e agências reguladoras — por profissionais com comprovada qualificação técnica. Para combater os recorrentes impactos de eventos climáticos extremos, propõe-se também a criaçãode órgãos estaduais dedicados à mitigação de riscos: o "RJ Águas", voltado para drenageme cheias, e o "GEO-RJ", voltado para contenção e gestão de encostas vulneráveis.

O segundo eixo reúne projetos estruturantes indispensáveis para impulsionar o desenvolvimento econômico, a logística e a sustentabilidade regional. No campo da mobilidade, ganham prioridade a implantação da Linha 3 do Metrô, a revitalização e segurança da malha ferroviária, a ferrovia EF-118 e a construção do Anel Rodoviário da BR-101 no município de Campos dos Goytacazes.

Na área de desenvolvimento urbano e social, o documento estabelece a premissa de que a Engenharia e a Arquitetura devem chegar antes das ocupações irregulares, superando ações meramente paliativas por meio de programas contínuos de habitação de interesse social com infraestrutura completa. Como complemento, a pauta de saneamento integrado preconiza a ampliação e redundância no abastecimento hídrico da Região Metropolitana, captações em tempo seco e a extinção definitiva dos lixões.

O terceiro eixo foca na transição das estruturas do passado para o futuro, sob o princípio de prevenir para não remediar. Diante do envelhecimento e da obsolescência de patrimônios essenciais, a carta alerta para a urgência de avaliar e recuperar instalações críticas antes que ocorram falhas operacionais ou tragédias, citando nominalmente o Sistema de Transposição de Santa Cecília e os sistemas de sinalização ferroviária.

Para operacionalizar essa estratégia preventiva, as instituições sugerem a criação de uma Secretaria de Recuperação de Infraestrutura estadual. Inspirada no modelo de conservação urbana, a pasta terá a missão específica de inventariar, monitorar e restaurar grande sobras de arte especiais e estruturas vitais do Estado, incluindo pontes, viadutos, túneis, emissários e adutoras.

“É uma carta que propõe um norte para o nosso próximo governante, para que ele possa, através dela, traçar as melhores tomadas de decisão para trazer um ambiente de desenvolvimento econômico, social e ambiental do Rio de Janeiro”, afirmou Miguel Fernández.

O presidente do CAU/RJ, o arquiteto e urbanista Sydney Menezes, lembrou que o diferencial do documento é afirmação da necessidade da retomada do planejamento nas políticas públicas do estado:

“Realmente é uma iniciativa inédita, coordenada, articulada e liderada pelo presidente do CREA, Miguel Fernández, que nos convocou, assim como a Coppe, para a elaboração dessa carta que objetiva trazer reflexões e propostas concretas de escopo técnico intervencionista no espaço público territorial para o futuro governador do Estado Rio de Janeiro. Ali é o resgate do planejamento, do pensar o desenvolvimento econômico e social do Estado e, mais do que isso, colocar as instituições à disposição para os governos, com uma mensagem muito clara e objetiva: governador, ouça os profissionais, as instituições públicas, as instituições técnicas, para ajudar no êxito, no sucesso e no resultado de governo para atender a qualidade de vida das pessoas”, disse Menezes.

A diretora da Coppe/UFRJ, a engenheira Suzana Kahn Ribeiro, reforçou a oferta do trabalho da Coppe que há décadas vem formando profissionais altamente qualificados para construir grandes soluções para o Rio e também para o Brasil:

“Estamos nos unindo em prol do desenvolvimento do Rio. A gente acredita que o governo do estado tem uma capacidade muito grande para construir esse futuro, mais desenvolvido, com mais inovação e oportunidades, além de mais qualidade de vida para toda a nossa população. A gente sabe da força que tem as nossas universidades e centros de pesquisa, com engenheiros, arquitetos e urbanistas, além de profissionais das mais diversas áreas. A força das nossas empresas, a população criativa que a gente tem. Aqui na Coppe temos uma capacidade enorme de transformar esse conhecimento em soluções para o estado e a cidade do Rio de Janeiro. A gente precisa de um Rio de Janeiro com um desenvolvimento mais moderno, muito necessário na nova economia do Rio de Janeiro, com uma nova infraestrutura, um Rio resiliente diante das mudanças climáticas, que se prepare para a fronteira das novas tecnologias. O Rio tem toda a condição de liderar esse tipo de avanço científico”, afirmou Suzana.