PALESTRA EM NILÓPOLIS REFORÇA O DEBATE SOBRE O RACISMO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - Correio da Lavoura

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20 de ago. de 2026

PALESTRA EM NILÓPOLIS REFORÇA O DEBATE SOBRE O RACISMO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

Profissionais de vários municípios da Baixada se reuniram em Nilópolis para discutir 
o tema com professor da Escola Técnica de Saúde Enfermeira Isabel dos Santos

(Fotos: Divulgação/PMN)

O profissional da área da saúde trata de forma preconceituosa as pessoas negras? Essa foi a questão principal da palestra apresentada pelo filósofo Carlos Henrique Ònã Veloso, coordenador da Assessoria Pedagógica e de Extensão da Escola Técnica de Saúde Enfermeira Isabel dos Santos, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), aos colegas que estiveram no auditório Prefeito Farid Abrão, no Hospital Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, na última sexta-feira, 14 de agosto.

A maioria dos participantes era formada por enfermeiros e psicólogos de São João de Meriti, Itaguaí, Belford Roxo, Queimados e Rio de Janeiro, além de representantes do governo da SES e de Nilópolis, município anfitrião. O resultado dos debates será apresentado em um grande encontro promovido pela SES, no dia 11 de novembro. A coordenadora do Núcleo de Educação Permanente (NEP) da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA), Marialda Oliveira, e Fabiano Moreira, Adriana Maciel e José Augusto da Silva receberam os visitantes.


“Este é nosso segundo encontro no Rio desde março. Nossa ideia é cobrir todo o Estado, e ainda nos falta visitar as regiões Norte, Noroeste e Serrana. Todos os temas levantados aqui fazem parte da vida e do dia a dia de todas as pessoas negras”, afirmou o filósofo Carlos Henrique Ònã Veloso.

Atendimento com equidade

Dayane Brito, coordenadora do Grupo Técnico de Equidade em Saúde da Atenção Primária de Belford Roxo, observou que todos fazem parte do SUS e que a dificuldade é sensibilizar quem está na ponta do atendimento, seja um recepcionista ou um gestor. “Precisamos entender que deve haver equidade, ou seja, temos que atender cada pessoa da forma como ela precisa ser tratada”, salientou.


A coordenadora afirmou que a ética não é algo subjetivo. “Questões relacionadas à religiosidade ou a visões de mundo diferentes das nossas não devem alterar a maneira como acolhemos o outro”, ressaltou ela, que estava acompanhada de outras seis pessoas.

Após uma fala do professor Carlos Veloso, a enfermeira Natália Maria, da SES, pediu a palavra e citou as dificuldades de acesso e os preconceitos enfrentados por pessoas pretas para ingressar em um mundo predominantemente branco.

Em resposta, o professor observou que existe o pacto da branquitude, conceito que, segundo a psicóloga Cida Bento, não tem a ver com a cor da pele, mas com um lugar de privilégio simbólico e material ativamente mantido.

“Na saúde, esse pacto explica a homogeneidade racial branca nos cargos de gestão do SUS e a resistência à implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN)”, observou.

Essa política é uma diretriz oficial do Ministério da Saúde, criada em maio de 2009, para garantir o atendimento conforme as necessidades de cada pessoa (equidade) na atenção à saúde e combater o racismo institucional dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na opinião do psicólogo Hélio Ferreira, da Secretaria de Saúde de Caxias, capacitar professores e gestores escolares quanto aos conceitos de branquitude, fragilidade branca, lugar de fala e outros é fundamental para que eles possam romper o ciclo de preconceitos. “Assim, eles vão poder ensinar aos estudantes e dar ferramentas para que os alunos possam entender o que acontece ao seu redor”, ressaltou.

Lílian Freitas, da Coordenação de Educação Permanente da Secretaria de Estado de Saúde, emocionou-se ao citar o exemplo de familiares vítimas de racismo ao buscarem atendimento no sistema público de saúde. Bruno Diniz, da Coordenadoria de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora de Queimados, falou da importância da empatia.

“É só você se perguntar se gostaria de ser atendido por você mesmo. Estamos trabalhando agora com professores e alunos, criando as Cipinhas nas escolas e também falando sobre as questões LGBTQIAPN+. Buscamos quebrar o preconceito junto aos professores”, explicou Diniz.