A mostra reúne fantasias originais de turmas
do carnaval 2026, fotografias, vídeos e adereços
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| Saída da Velha Guarda de Paciência no bloco Vem Cá Minha Flor (Fotos: Ramon Vellasco) |
Quem é do subúrbio do Rio conhece bem essa cena: o estouro dos fogos, o som das bolas batendo no chão, a fumaça colorida e, de repente, eles: os bate-bolas, também chamados de Clóvis. Figuras mascaradas, brilhantes, misteriosas, tomando a rua em bando. Para uns, susto. Para outros, encanto. Para milhares de cariocas, sinônimo de carnaval. Essa festa que nasceu nos quintais e galpões da Zona Norte, Oeste e da Baixada Fluminense agora se transformou na exposição "Clóvis: o rosto detrás da máscara", que foi inaugurada no dia 21 de julho de 2026, às 15h, na Biblioteca Parque Estadual, no Centro, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, até o dia 21 de agosto.
A mostra reúne indumentárias completas e originais apresentadas por diversas turmas de bate-bolas do carnaval de 2026, entre elas a Turma Bem Feitos, Turma Bem Feitas, Turma Animação da Ilha do Governador, Velha Guarda de Paciência e Turma Empoderadas. Outros grupos também se fazem presentes por meio de adereços, registros audiovisuais e fotografias que exploram o corpo mascarado, o brilho, o som e o gesto como expressões estéticas e políticas de identidade. Haverá visita mediada na abertura e no encerramento.
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| Indumentárias do Mercenários do Realengo |
Reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro desde 2012, os bate-bolas estão entre as imagens mais fortes do carnaval carioca. Mas, para o curador Rennan Carmo, essa visibilidade ainda esconde muita coisa:
"A ideia da exposição surge da oportunidade de debater como os bate-bolas são amplamente reconhecidos como imagem do carnaval carioca, mas pouco compreendidos a partir das pessoas que constroem essa manifestação. O projeto propõe deslocar o olhar da fantasia como espetáculo para a fantasia como processo e linguagem", afirma.
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| Turma Bem Feitos |
Já para o idealizador, Felipe Soares, as roupas ajudam a contar, de maneira mais sutil, a importância dos bate-bolas, uma expressão artística que nasceu nos subúrbios:
"Falar por meio das roupas é fundamental porque elas concentram camadas: técnica, identidade, estética e pertencimento. A fantasia não é apenas um figurino, mas um dispositivo que transforma o corpo, organiza relações dentro da turma e comunica valores e narrativas do território".
O projeto conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através do Edital Folia RJ 2026 e tem ainda com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição, obra tátil e intérprete de Libras nos eventos de abertura e encerramento.
Da rua para a galeria
O percurso expositivo convida o visitante a viver dois tempos da festa popular. Na primeira parte, a rua: o grande palco das turmas, com as saídas coletivas numa profusão de cores, texturas e brilhos, resultado de quase um ano de trabalho entre a escolha do tema e o desfile. Na segunda, os bastidores: o universo íntimo e quase inacessível que fica por trás das máscaras, onde pintores, costureiras, aderecistas e produtores transformam quintais, varandas e galpões em verdadeiras famílias ampliadas. Com recursos próprios, os integrantes juntam suas economias durante meses para materializar o sonho.
A exposição também enfrenta um incômodo antigo: o estigma. Frequentemente associada à marginalidade ou à desordem, a cultura dos bate-bolas é apresentada como uma força legítima de expressão artística no espaço público, produtora, inclusive, de laços fraternais entre vizinhos, membros e turmas.
"A exposição contribui para ampliar a compreensão do carnaval para além dos circuitos mais visíveis, jogando luz em manifestações que fazem parte do cotidiano de muitos territórios do Rio, mas que ainda são pouco valorizadas institucionalmente. O público pode esperar uma aproximação mais direta com os processos de criação, com as histórias das turmas e com a complexidade dessa prática", afirma Rennan Carmo.
Abertura contará com seminário
No dia da abertura, 21 de julho (terça), a programação começa às 15h, com uma visita mediada e às 16h acontece um seminário gratuito com Fabiano Lima (da Turma Bem Feito) e Emilly "Milly" Santos (da Turma Empoderadas), uma oportunidade rara de ouvir, sem máscaras, quem faz a festa acontecer.
Turmas participantes
Turma Bem Feitos, Turma Bem Feitas, Mercenários de Realengo, Turma Animação da Ilha do Governador, Complexo da Leocádia, Velha Guarda de Paciência, Tropa do Senegal, Turma Empoderadas, Turma do Funil, Turma Playboyzada e Que Turma É Essa, dentre outras.
Serviço
Exposição "Clóvis: o rosto detrás da máscara". Abertura: 21 de julho de 2026 (terça), a partir das 15h. Ficará em cartaz até o dia 21 de agosto. Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 17h. Local: Biblioteca Parque Estadual. Endereço: Av. Pres. Vargas, 1261, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Entrada gratuita. Livre.

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