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27 de jul. de 2026

TROCANDO EM MIÚDOS

Por Almeida dos Santos


O juiz poeta

Ele foi um polímata: juiz, desembargador, chefe de polícia, presidente de tribunal, jornalista, escritor, cartunista, romancista e poeta com obras musicadas. Fundou alguns jornais, entre eles “O Barbeiro”, no Paraná (1870), e “O Libertador”, que foi o primeiro jornal da história de Nova Iguaçu (1887). Fundou, também, o jornal “O Lírio”. Era negro, abolicionista e republicano. Poucos conhecem sua história, mas sabem seu sobrenome por causa de uma rua famosa. Esse é o Dr. João Antônio de Barros Júnior, nascido em Iguassú, em 26 de novembro de 1832, e falecido em 11 de novembro de 1912, em Curitiba, no Paraná.

Amigos

Dr. Barros Júnior foi amigo de Francisco Rangel Pestana, um iguaçuano abolicionista e republicano. Outro amigo foi Francisco Quirino dos Santos, também abolicionista e republicano. Formava um trio de mentes brilhantes que fundou, na Faculdade de Direito de São Paulo, o jornal “O Lírio”.

Curiosidade complicada

Apesar de iniciar os estudos na Faculdade de Direito do Recife e depois ir para São Paulo, foi lá que conheceu seus pares fundadores de “O Lírio”. Voltou para Pernambuco e concluiu a graduação na Faculdade de Direito do Recife. A cronologia foi a seguinte: na década de 1850 iniciou o curso de Direito na Faculdade do Recife, estudando até o terceiro ano. Transferiu-se para São Paulo, onde fundou o jornal com Francisco Rangel Pestana e Francisco Quirino dos Santos. Retornou ao Recife e, em 1864, colou grau como bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife.

Trajetória no Direito

Em 1866 foi nomeado juiz municipal de Órfãos e chefe de Polícia em Paranaguá e Guaratuba (PR). Em 1872 assumiu como juiz municipal e de Órfãos em Jaú (SP). Em 1874 pediu para voltar à Vila de Iguassú. Depois, em 1889, como juiz, foi para Antonina (PR). Em seguida, em 1892, retornou a Paranaguá (PR) como juiz. Em 1894 assumiu como desembargador interino e presidente do Tribunal de Justiça (Tribunal de Apelação), em Curitiba, no Paraná. Em 1895 foi efetivado como desembargador do Tribunal de Justiça (Apelação) de Curitiba. Em 1903 encerrou a carreira, a pedido. Aliás, quando juiz em Antonina e Paranaguá, Dr. Barros Júnior assinou os autos de liberdade de escravizados também na cidade de Morretes, próxima a Antonina e Paranaguá.

União


Dr. Barros Júnior casou-se com Ana Águeda Moreira da Silva, em Pernambuco, no dia 8 de março de 1864. Do enlace nasceram nove filhos, sendo quatro homens e cinco mulheres. Uma das filhas, Joaquina Amélia Moreira de Barros, casou-se com Bernardino José Soares de Mello Júnior. É preciso explicar que esse Bernardino é quem dá nome à rua iguaçuana (paralela à linha férrea do lado residencial da cidade), enquanto o pai, também Bernardino, foi o proprietário da Fazenda São Bernardino. (Crédito - Foto do livro “Personalidades Históricas de Iguassú – Império”)

O conto

Dr. Barros Júnior escreveu, no Diário de Pernambuco, na página 8 da edição de 1º de dezembro de 1873, um conto chamado “Uma noite no cemitério”, mas ele não tem relação com o Cemitério de Nova Iguaçu. Barros Júnior viveu, como dito, parte da vida em Pernambuco, onde se formou na faculdade e conheceu Ana Águeda, com quem se casou. Viveu, também, bastante tempo no Paraná. Quanto ao conto, trata-se de uma narrativa gótica interessante de ler.

Interessante demais

Quando foi indicado para ser juiz no Paraná, quem assinou o encaminhamento foi D. Pedro II e o ministro da Justiça, José Tomás Nabuco de Araújo, pai do Dr. Joaquim Nabuco, jurista e um dos grandes líderes do movimento abolicionista brasileiro, além de membro da ABL. Joaquim Nabuco é uma das grandes expressões do abolicionismo no Brasil.

Marcas do Direito

Hoje, o Dr. Barros Júnior dá nome à rua de entrada da Procuradoria-Geral do Município de Nova Iguaçu que, por curiosidade, é perpendicular à Rua Athayde Pimenta de Moraes, outro juiz de Direito.

Juiz em Iguassú

Apesar de ter nascido em Iguassú antes de a localidade ser elevada à categoria de vila, passou a maior parte da vida fora da cidade. Sua atuação como juiz na Vila de Iguassú durou cerca de uma década e meia, entre 1874 e 1889. No ano de 1887, em Iguassú, fundou o jornal “O Libertador”, o primeiro jornal do município. Em 1889 foi transferido para o Paraná, onde se tornou desembargador e presidiu o Tribunal de Justiça do Paraná por sete gestões consecutivas, de 1894 até 23 de maio de 1903. Faleceu em Curitiba no dia 11 de novembro de 1912.