INTERNET VIRA PRINCIPAL FORMA DE LAZER EM BAIRRO SEM EQUIPAMENTOS CULTURAIS - Correio da Lavoura

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6 de fev. de 2026

INTERNET VIRA PRINCIPAL FORMA DE LAZER EM BAIRRO SEM EQUIPAMENTOS CULTURAIS

69% dos moradores afirmaram utilizá-la principalmente 
para entretenimento, como redes sociais, vídeos, filmes e jogos

(Foto: Freepik)

O levantamento sobre hábitos de lazer dos moradores do Geneciano, em Nova Iguaçu, revela um cotidiano marcado por restrição de opções presenciais, ausência de equipamentos culturais no próprio bairro e centralidade do consumo digital como principal forma de entretenimento. O levantamento foi realizado em janeiro de 2026 pela assessora de Pesquisa Social do Cultura na Faixa, Viviane Gonzales, no bairro de Geneciano, em Nova Iguaçu.

Quando questionados sobre o uso da internet, 69% dos moradores afirmaram utilizá-la principalmente para entretenimento, como redes sociais, vídeos, filmes e jogos, padrão similar aos 75% da população fluminense que prioriza redes sociais diariamente. Apenas 31% relataram usar a rede para buscar informações, e um número ainda menor declarou acessar conteúdos educativos ou cursos online. O uso de plataformas digitais para acessar serviços públicos também aparece de forma pontual.

“O uso da internet como principal forma de lazer revela tanto a presença do digital no cotidiano quanto a ausência de alternativas culturais presenciais no próprio bairro”, aponta Viviane Gonzales.

Apesar da ampla presença do consumo digital, o acesso à internet não é homogêneo. A pesquisa identificou domicílios sem conexão própria, compartilhamento de celulares entre crianças e adolescentes e limitações de acessibilidade para pessoas com deficiência, realidades comuns em 20% dos domicílios periféricos de Nova Iguaçu. Ainda assim, aplicativos de mensagens e redes sociais fazem parte da rotina da maioria das famílias. “A pesquisa mostra que estar conectado não significa ter acesso pleno: há domicílios sem internet, compartilhamento de aparelhos e limitações que afetam principalmente crianças, adolescentes e pessoas com deficiência”, explica Gonzales.

No campo do lazer presencial, as atividades mais citadas foram ouvir música, assistir televisão, brincar na rua ou frequentar a praça do bairro. Práticas culturais estruturadas, como teatro, museu ou circo, aparecem de forma residual, refletindo a inexistência de equipamentos culturais em Geneciano, a baixa motorização (120 veículos/1.000 hab.) e a dificuldade de deslocamento para outras regiões de Nova Iguaçu.

Esse conjunto de dados evidencia que o lazer no Geneciano é condicionado por fatores estruturais, como renda média familiar de R$ 1.800/mês nas periferias, mobilidade urbana limitada e oferta pública de cultura insuficiente na Baixada.

O projeto Cultura na Faixa é promovido pela ONG Se Essa Rua Fosse Minha (SER), por meio de convênio com a Transpetro.